MENSAGENS PARA A GERAÇÃO DOS ÚLTIMOS DIAS

Blog com mensagens e artigos diferentes sobre Deus e a Bíblia

Um Zé-Mané Ensinando os Doutores em Teologia a Interpretar o Apocalipse

********(CONCLUÍDO E ACRESCENTADO)********

QUEM SÃO OS INTERLOCUTORES DA NARRATIVA NO FINAL DO CAPÍTULO 22 DE APOCALIPSE?

a-volta-de-cristo

Antes de entrar na explanação sobre o Apocalipse, tenho que tecer alguns comentários importantes.

*******
Tem coisas incríveis no Apocalipse de João que enxergo durante a leitura, e percebo que, depois de quase dois mil anos da cristandade, a quase totalidade dos teólogos continua com uma espécie de venda nos olhos e não conseguem ver nada além do que já viram. É interessante notar que a Bíblia mesmo diz que no tempo do fim os sábios compreenderiam as profecias. Mas só no fim? Por que não antes?

“Muitos se purificarão, e se embranquecerão, e serão acrisolados; mas os ímpios procederão impiamente; e nenhum deles entenderá; mas os sábios entenderão” (Daniel 12:10).

É claro que quando já estamos próximo do cumprimento de uma profecia os sinais a respeito do acontecimento profetizado são mais evidentes. Jesus mesmo chamou a atenção sobre isso. Com a proximidade de um acontecimento fica mais fácil compreender os sinais de sua chegada.

“Aprendei, pois, da figueira a sua parábola: Quando já o seu ramo se torna tenro e brota folhas, sabeis que está próximo o verão” (Mateus 24:32).

Enquanto os teólogos se preocupam em saber o que significa a “figueira” nesta declaração de Jesus, eu, porém, preocupo-me em saber o que é esse “verão”.

Verão é a estação da luz, do calor e do trabalho; ou seja, é um período de tempos trabalhosos, de muita agitação, diversão e descompromisso com o que virá depois.

“Daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai. Pois como foi dito nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos; assim será também a vinda do Filho do homem. Então, estando dois homens no campo, será levado um e deixado outro; estando duas mulheres a trabalhar no moinho, será levada uma e deixada a outra. Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor” (Mateus 24:36-42).

A maioria dos doutores em Teologia afirma que a frase “estando dois homens no campo, será levado um e deixado outro” está falando do tal arrebatamento. Porém, a interpretação correta diz que esse que é levado é o que se perderá. O que fica é o que será poupado do castigo, da morte ou da calamidade. O texto não se refere a um suposto arrebatamento, mas tão-somente à tribulação que sobrevirá ao mundo nos últimos dias em que muitos escaparão (serão deixados) e outros serão mortos (serão levados). Repare que Jesus disse que o povo antediluviano “não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos”. Ou seja, quem foi LEVADO pelas águas do dilúvio é que pereceu. Também devemos lembrar que durante a invasão de Jerusalém pelo Exército Romano no ano 70 d.C muitos judeus foram poupados da morte. Ou seja, os que ficaram – os deixados para trás – é que foram poupados da morte. Outros que não sofreram a morte imediata foram presos e levados cativos, como escravos. E adivinha quem foi deixado para trás e poupado da morte durante a invasão romana? Justamente os pobres, os mendigos, os doentes e aleijados, que foram deixados para cuidar da terra. O salmista disse que os mansos e os justos herdarão a Terra e nela habitarão para sempre (Salmos 37:11, 29). No Antigo Testamento não há nenhum texto afirmando que os mansos e os justos herdarão o céu. Essa história de que os crentes herdarão o céu é pura heresia e coisa de fanático religioso.

Veja o que Jesus disse no Sermão do Monte:

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.1 Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus” (Mateus 5:3-12).

Os doutores em Teologia deviam entender e ensinar que a expressão “reino dos céus” está se referindo ao reino vindo dos céus para se estabelecer aqui na Terra. Não existe reino algum no Céu. Deus não reina exclusivamente sobre anjos, porque anjos não formam nações. Para que haja reino é preciso haver súditos, servos e vassalos. Os anjos não são servos. Se Deus reina no Céu, mas esse reino abrange todo o Universo. Porém, Deus reina especialmente dos céus sobre a Terra, sobre nós. Portanto, devemos entender que “reinos dos céus” quer dizer “reino vindo dos céus sobre nós”. E esse reino será estabelecido definitivamente aqui na Terra depois que todas as coisas forem cumpridas. E esse reino será regido eternamente por Jesus Cristo. A presença permanente de Cristo aqui na Terra junto com os humanos redimidos será igual à presença do próprio Deus no meio de nós. E o reino eterno de Jesus aqui na Terra terá todas as características de um reino humano, mas não será regido como o reino dos homens, e as nações da Terra levarão honras e tributos ao Rei. O reino dos homens é caracterizado por conflitos, guerras, ódio, injustiças e opressão. Porém, o Reino de Cristo será de paz, de amor, de justiça e de prosperidade.

“Deus reina sobre as nações; Deus está sentado sobre o seu santo trono” (Salmo 47:8).

“E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já se foram o primeiro céu e a primeira terra, e o mar já não existe. E vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, adereçada como uma noiva ataviada para o seu noivo. E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. (….) As nações andarão à sua luz; e os reis da terra trarão para ela a sua glória. As suas portas não se fecharão de dia, e noite ali não haverá; e a ela trarão a glória e a honra das nações” (Apoc. 21:1-3, 24-26).

“Naquele tempo chamarão a Jerusalém o trono do Senhor; e todas as nações se ajuntarão a ela, em nome do Senhor, a Jerusalém” (Jeremias 3:17).

“E disse-me: Filho do homem, este é o lugar do meu trono, e o lugar das plantas dos meus pés, onde habitarei no meio dos filhos de Israel para sempre; e os da casa de Israel não contaminarão mais o meu nome santo” (Ezequiel 43:7).

“Eu estava olhando nas minhas visões noturnas, e eis que vinha com as nuvens do céu um como Filho de homem; e dirigiu-se ao ancião de dias [que estava assentado no Trono], e foi apresentado diante dele. E foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído” (Daniel 7:13-14).

Portanto, os salvos irão habitar no reino dos céus aqui mesmo na Terra, e não no Céu, como todos imaginam. E a Nova Jerusalém será a capital do mundo.

Jesus ordenou seus discípulos a pregar, dizendo que era chegado o reino dos céus. E essa é a prova do que afirmei, que o reino dos céus não é um reino localizado no Céu, mas tão-somente um reino vindo dos céus para se estabelecer aqui na Terra.

“E indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus” (Mateus 10:7).

“Jesus, porém, disse: Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, porque das tais é o reino dos céus” (Mateus 19:14).

Quantas vezes não vi irmãos subir no púlpito da igreja e pregar sobre este versículo de forma totalmente deturpada! A expressão “criança” significa pessoas humildes, pessoas mansas e pacíficas, assim como são as crianças. E a expressão “reino dos céus” não tem nada a ver com um reino no Céu, mas um reino aqui mesmo na Terra.

Quanto à frase “alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus”, vou explicar. Repare que a palavra “céus” está no plural. Na Bíblia não existe a expressão “reino do Céu”, mas somente “reino dos céus”, que quer dizer um reino vindo dos céus sobre nós. Portanto, a frase “porque é grande o vosso galardão nos céus”, a expressão “nos céus” é uma forma abreviada de “reino dos céus” como foi dita logo no início do Sermão da Montanha: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus”. Se omitirmos a palavra “reino” a frase fica assim: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é os céus”. E a palavra “céus” está no plural, e não designa um local exato. “Céus” se refere a todo os espaço sideral. Se os salvos fossem realmente habitar no Céu frase correta seria: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino do Céu” ou “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino no Céu”.

E para um bom entendedor de semântica e análise sintática (sintaxe), na frase “porque deles é reino dos céus”, o verbo ser (é), no singular, está se referindo ao substantivo “reino”, e não ao adjunto adverbial “dos céus”. Portanto, a atenção do intérprete deve ser dada ao vocábulo “reino”, que se refere ao reino do Messias aqui na Terra. Mas os crentes só fixam o olhar na palavra “céus”, e por isso, imaginam que vão morar nos céus.

OS MANSOS HERDARÃO A TERRA, NÃO O CÉU

Fico imaginando por que os crentes não se tocam quando leem no Sermão do Monte a frase Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra”!

Se Jesus diz que os mansos herdarão a Terra, por que os crentes ficam imaginando que vão herdar o Céu? Ou será que Jesus estava maluco (sofrendo de esquizofrenia), uma hora falando uma coisa, e mais na frente falando outra?

Pergunto aos doutores em Teologia: Os salvos irão herdar a Terra e viver nela para sempre, ou irão herdar o Céu, e habitar junto com Deus e os anjos?

Se perguntarmos para um crente se ele prefere herdar a Terra ou herdar o Céu, por certo ele irá responder que prefere herdar o Céu. Logo, vemos que é difícil mudar a mentalidade dos crentes sobre essa questão de querer ir morar junto com Deus no Céu, pois, foram doutrinados de forma equivocada, e não aceitam o contraditório.

Ora, se Jesus diz que os mansos herdarão a Terra, logo, a expressão “herdar o reino dos céus” significa herdar o reino vindo dos céus, que será implantado aqui mesmo neste planeta, quando todas as coisas forem cumpridas.

O salmista e os profetas também dizem que os mansos e os justos herdarão a Terra, e não o Céu.

“Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz” (Salmos 37:11).

“Os justos herdarão a terra e nela habitarão para sempre” (Salmos 37:29).

“Mas o que confia em mim possuirá a terra, e herdarão o meu santo monte” (Isaías 57:13).

“E todos os do teu povo serão justos; para sempre herdarão a terra; serão renovos por mim plantados, obra das minhas mãos, para que eu seja glorificado” (Isaías 60:21).

“E produzirei descendência a Jacó, e a Judá um herdeiro dos meus montes; e os meus escolhidos herdarão a terra e os meus servos nela habitarão” (Isaías 65:9).

MAS A NOSSA PÁTRIA ESTÁ NOS CÉUS

“Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o corpo da nossa humilhação, para ser conforme ao corpo da sua glória, segundo o seu eficaz poder de até sujeitar a si todas as coisas” (Filipenses 3:20-21).

Há somente três referências cruzadas que apoiam de forma duvidosa isso que Paulo afirmou em Fil. 3:20.

1ª REEFERÊNCIA: Efésios 2:6, 19

“E nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus. (….) Assim, pois, não sois mais estrangeiros, nem forasteiros, antes sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus”.

Essa afirmação de Paulo, na sua Carta aos Efésios (2:6), parece não se apoiar na realidade, mas apenas em utopia. E isso evidencia um pouco de fanatismo religioso do próprio apóstolo, pois, crente algum irá se assentar no Céu ao lado de Deus.

2ª REFERÊNCIA: Hebreus 11:13-16

“Todos estes morreram na fé, sem terem alcançado as promessas; mas tendo-as visto e saudado, de longe, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Ora, os que tais coisas dizem, mostram que estão buscando uma pátria. E se, na verdade, se lembrassem daquela donde haviam saído, teriam oportunidade de voltar. Mas agora desejam uma pátria melhor, isto é, a celestial. Pelo que também Deus não se envergonha deles, de ser chamado seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade”.

Ora, isso que Paulo fala aos hebreus é pura fantasia. Pois, o próprio Judaísmo jamais ensina que os justos que morreram irão reviver para habitar no Céu. E nem mesmo na Toráh (Antigo Testamento) encontramos algum ensino de que os justos que morreram irão ressuscitar para viver no Céu. Marta, irmã de Lázaro, disse que sabia que Lázaro iria ressuscitar no último dia, mas não para ir morar no Céu. E Jesus não ignorou o que ela falou; apenas disse que podia antecipar a ressurreição. Portanto, isso evidencia que os judeus não tinham por esperança uma nova pátria nos céus, mas aqui mesmo na Terra.

“Respondeu-lhe Jesus: Teu irmão há de ressurgir. Disse-lhe Marta: Sei que ele há de ressurgir na ressurreição, no último dia” (João 11:23).

Não existe nenhuma referência cruzada no restante da Bíblia, de forma a corroborar o que Paulo falou aos hebreus, sobre a esperança dos patriarcas de ir morar numa pátria melhor nos céus. Pelo livro de Ezequiel os judeus sabem que o reino eterno do Messias será aqui mesmo na Terra, e não no Céu.

“Ainda habitarão na terra que dei a meu servo Jacó, na qual habitaram vossos pais; nela habitarão, eles e seus filhos, e os filhos de seus filhos, para sempre; e Davi, meu servo, será seu príncipe eternamente” (Ezeq. 37:25).

“E disse-me: Filho do homem, este é o lugar do meu trono, e o lugar das plantas dos meus pés, onde habitarei no meio dos filhos de Israel para sempre; e os da casa de Israel não contaminarão mais o meu nome santo” (Ezeq. 43:7).

Jesus é o Filho de Davi. Portanto, esse Príncipe de Ezequiel será humano, um humano híbrido. Será um ente divino-humano habitando com os humanos. Deus habitará conosco através da pessoa de seu Filho Jesus, o Príncipe.

3ª REFERÊNCIA: Colossenses 3:1

“Se, pois, fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus”.

As promessas de Deus aos vencedores, ou seja, as recompensas, estas serão concedidas como uma espécie de troféu. É claro que muitos dos salvos exercerão lugar de destaque no Reino Eterno do Messias. Por exemplo, a recomendação de Jesus para que ajuntássemos tesouros no Céu, isso não deve ser interpretado ao pé da letra. As recompensas dos vencedores serão dadas em forma de honras e também lugares de destaque no Reino.

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe” (Apoc. 2:17).

“Ao que vencer, e ao que guardar as minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações” (Apoc. 2:26).

“Ao que vencer, eu lhe concederei que se assente comigo no meu trono” (Apoc. 3:21).

Observe uma coisa: Jesus se assenta ou se posiciona ao lado do Trono de Deus no Céu, mas nem por isso Ele é Deus, igual ao Pai. Da mesma forma, muitos dos salvos vencedores terão o privilégio de se assentar ao lado do Trono de Cristo, o Messias, no seu Reino Eterno aqui na Terra, mas nem por isso esses privilegiados serão iguais a Jesus em poder e autoridade.

Em relação à pátria dos crentes que Paulo disse estar nos céus, de Filipenses 3:20, o correto seria ele dizer: “Mas a nossa pátria está NO REINO dos céus, na nova Jerusalém, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo”.

NÃO EXISTE UMA CIDADE NO CÉU DENOMINADA JERUSALÉM

O autor da Carta aos Hebreus foi o único que supôs existir uma cidade celestial, denominada Jerusalém. Mas, isso não procede. Existem outras referências na Bíblia aludindo a uma suposta cidade nos céus, mas nenhuma delas diz exatamente o nome.

“Mas tendes chegado ao Monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, a miríades de anjos” (Hebreus 12:22).

Como pode alguém achar que existe uma cidade no Céu com um nome de origem cananéia? Só mesmo na cabeça de religiosos fanáticos!

O nome JERUSALÉM vem da língua do antigo povo cananeu. O vocábulo Jerusalém é formado pela junção de duas palavras: JERU, que significa cidade, e SALÉM, que significa paz. Portanto, Jerusalém significa Cidade de Paz. O Livro apócrifo de Melquisedeque, supostamente escrito por Abraão, conta a lenda de um rei cananeu que tinha um filho, o qual exercia a função de sacerdote. Depois que o rei morreu, o filho (Melquisedeque) assumiu o trono, e passou a exercer as funções de rei e sacerdote ao mesmo tempo. Foi por causa dessa lenda que o escritor da Carta aos Hebreus afirmou que Jesus Cristo é um Sumo-Sacerdote segundo a Ordem de Melquisedeque. Por essa razão, Jesus exercerá a função de Rei e Sacerdote no seu Reino Eterno aqui na Terra.

“Ora, Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; pois era sacerdote do Deus Altíssimo” (Gênesis 4:18).

“Jurou o Senhor, e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” (Salmos 110:4).

“Tocará ao príncipe dar os holocaustos, as ofertas de cereais e as libações, nas festas, nas luas novas e nos sábados, em todas as festas fixas da casa de Israel. Ele proverá a oferta pelo pecado, a oferta de cereais, o holocausto e as ofertas pacíficas, para fazer expiação pela casa de Israel” (Ezequiel 45:17).

“E no mesmo dia o príncipe proverá, por si e por todo o povo da terra, um novilho como oferta pelo pecado” (Ezequiel 45:22).

“E, tendo sido aperfeiçoado, veio a ser autor de eterna salvação para todos os que lhe obedecem, sendo por Deus chamado sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hebreus 5:9-10).

“Aonde Jesus, como precursor, entrou por nós, feito sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hebreus 6:20).

Durante a história do povo hebreu, os reis, juízes e príncipes nunca ministraram no Grande Templo, oferecendo sacrifícios. A função de ministrar no Templo era exclusiva da Tribo de Levi. E nenhum rei de Israel foi da Tribo de Levi.

No entanto, esse Príncipe de Ezequiel, além de exercer a função de Rei, também exercerá a função de Sacerdote, e administrará os sacrifícios no Templo. Por essa razão Jesus é considerado Rei e Sacerdote. Mas, tem um detalhe: este Príncipe de Ezequiel parece ser tão humano quanto os demais, e o texto bíblico diz que ele oferecerá sacrifícios por si mesmo e pelo povo.

Há quem diga que esse Príncipe de Ezequiel não será o Senhor Jesus Cristo, mas um príncipe dos filhos de Israel, não necessariamente da Tribo de Levi. Outros afirmam que Jesus não pode assumir a função de Sacerdote porque ele não era da Tribo de Levi, mas da de Judá. Mas outros dizem que Jesus é uma exceção, e Ele exercerá as duas funções, conforme reza a lenda de Melquisedeque.

O Monte Sião mencionado em Apoc. 14 refere-se à cidade de Nova Jerusalém aqui mesmo na Terra, depois que o Reino do Messias for estabelecido definitivamente. O que João viu foi uma visão futurística do que foi planejado acontecer, e não um fato real.

“E olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o Monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, que traziam na fronte escrito o nome dele e o nome de seu Pai”.

Devemos compreender que as visões do futuro que Jesus revelou a João não são literais. As visões que João contemplou são os planos que Deus traçou para que aconteçam. Ninguém é onisciente, nem mesmo Deus. Ninguém pode prever o que irá acontecer no futuro. Muitos fatos contemplados nas visões do “futuro” descritas no Apocalipse ainda não aconteceram e podem não acontecer. Tudo que é revelado no Apocalipse são os planos de Deus contidos no Livrão de Sete Selos.

Tudo que João contemplou no Apocalipse foram encenações do que está previsto acontecer nos planos de Deus concernentes à humanidade, e não visões reais de acontecimentos do futuro.

Portanto, o Monte Sião, isto é, a Cidade de Nova Jerusalém onde João contemplou o Cordeiro com os 144 mil judeus, é aqui mesmo na Terra, e não no Céu.

A cidade de Nova Jerusalém que João diz descer dos céus no Apocalipse não é uma cidade física, real, mas uma cidade simbólica. Na verdade, a Nova Jerusalém Celestial que descerá sobre a Terra é a Comitiva dos 144 mil judeus, que serão selados e posteriormente arrebatados antes de serem lançadas as taças da ira de Deus sobre a Terra. Esse grupo de 144 mil judeus representa a Noiva do Cordeiro. E como o próprio texto diz, o grupo desse dos céus como uma noiva ataviada para o noivo. A igreja que representa o grupo de todos os salvos não é a Noiva do Cordeiro. O grupo dos 144 mil é que representa a Noiva do Cordeiro, e esse grupo o segue para onde quer que vá.

“E vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, adereçada como uma noiva ataviada para o seu noivo” (Apoc. 21:2).

As dimensões da cidade Nova Jerusalém que desce dos céus são todas relacionadas com o número 144, evidenciando que essa cidade simbólica representa o grupo dos 144 mil.

“E ninguém podia aprender aquele cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil, aqueles que foram comprados da terra. Estes são os que não se contaminaram com mulheres; porque são virgens. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes foram comprados dentre os homens para serem as primícias para Deus e para o Cordeiro” (Apoc. 14:3-4).

Os salvos de segunda categoria, que ressuscitarão no último dia, logo após a Grande Tribulação, e também os que foram salvos no julgamento do Grande Trono Branco, formarão as nações que povoarão a nova Terra restaurada. E a antiga cidade de Jerusalém será a capital mundial para sempre.

“As nações andarão à sua luz; e os reis da terra trarão para ela a sua glória. As suas portas não se fecharão de dia, e noite ali não haverá; e a ela trarão a glória e a honra das nações” (Apoc. 21:24-16).

JESUS NÃO PROMETEU ARREBATAR OS SEUS SEGUIDORES FIÉIS, MAS RESSUSCITÁ-LOS NO ÚLTIMO DIA, NÃO PARA LEVÁ-LOS PARA O CÉU, MAS PARA REINAR COM ELE PARA SEMPRE AQUI NA NOVA TERRA RESTAURADA

“E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia. Porquanto esta é a vontade de meu Pai: Que todo aquele que vê o Filho e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6:39-40).

“Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia (…) Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6:44, 54).

“Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno” (João 17:15).

“Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a vindoura” (Hebreus 13:14).

NA CASA DE MEU PAI HÁ MUITAS MORADAS

“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” (João 14:1-3).

Esta declaração de Jesus, de João 14:2, tem feito a cabeça de milhões de cristãos, com a esperança de irem morar numa cidade nos céus. Só que esses “lugares” que Jesus foi preparar serão no seu Reino Eterno aqui mesmo na Terra, e não no Céu.

A expressão “na casa de meu Pai há muitas moradas”, significa o mesmo que dizer “no reino que meu Pai me concedeu há muitas moradas”.

Para se fundamentar um ensino ou doutrina é necessário haver pelo menos mais duas referências paralelas (referências cruzadas) que sirvam de respaldo ao texto ou argumento. E sobre esta declaração de Jesus em João 14:2 não há nenhum outro apoio nas Escrituras. Não há referências cruzadas de forma a apoiar o argumento de que no Céu há muitas moradas ou mansões para os crentes salvos.

De tanto os crentes se iludirem com essa estória de morada no Céu, muitos imaginam que vão ganhar uma mansão no Céu; e outros até sonham coisas absurdas. E nem mesmo na Bíblia existe a tal palavra MANSÃO. E o fanatismo é tão absurdo que muitos cantores escreveram hinos falando de mansões no Céu. Lembro-me de um sonho que a irmã Maria Cruz me contou. Ela sonhou que estava no Céu e contemplava muitas casas feitas de palhas e outras bem construídas, parecendo mansões. Aí ela quis saber de quem eram aquelas casas de palhas. Aí alguém respondeu que aquelas casas de palhas eram dos crentes que não faziam a obra de Deus com amor e dedicação. Por aí se vê o tanto de fanatismo dos crentes com essa estória de moradas no Céu.

PARA ONDE VOU, VÓS NÃO PODEIS IR

“Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco. Procurar-me-eis; e, como eu disse aos judeus, também a vós o digo agora: Para onde eu vou, não podeis vós ir” (João 13:33).

NINGUÉM SUBIU AO CÉU, SENÃO O QUE DESCEU DO CÉU

Ora, Jesus mesmo declarou que somente Ele desceu do Céu e subiu aos céus. Significa que nenhum justo, desde Adão até nossos dias, jamais subiu aos céus para viver permanentemente por lá. Enoque teve o privilégio de ter sido abduzido até os céus, mas ele não podia jamais permanecer por lá, visto que o Céu é habitação somente dos seres aperfeiçoados. E os crentes de hoje não são aperfeiçoados nem a pau! Poucos serão os aperfeiçoados. Da mesma forma, o profeta Elias foi abduzido por uma nave espacial, mas isso não significa que ele foi levado direto para os céus, além do sétimo céu, onde Deus habita, pois lá nem mesmo existe atmosfera para um ser humano vivo respirar.

“Se vos falei de coisas terrestres, e não credes, como crereis, se vos falar das celestiais? Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem” (João 3:12-13).

Se ninguém subiu aos céus, por que os líderes religiosos cristãos ensinam os crentes neófitos que após a morte o crente vai direto para o Céu? Ora, eles induzem o crente ao erro, e com isso cria-se um fanatismo que se torna difícil lidar.

O ARREBATAMENTO SERÁ APENAS PARA OS 144 MIL JUDEUS, CONFORME ESTÁ DESCRITO EM APOCALIPSE CAP. 7 E 14

“Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor” (I Tess. 4:17).

“E vi outro anjo subir do lado do sol nascente, tendo o selo do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos, quem fora dado que danificassem a terra e o mar, dizendo: Não danifiques a terra, nem o mar, nem as árvores, até que selemos na sua fronte os servos do nosso Deus. E ouvi o número dos que foram assinalados com o selo, cento e quarenta e quatro mil de todas as tribos dos filhos de Israel” (Apoc. 7:2-4).

“E olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o Monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, que traziam na fronte escrito o nome dele e o nome de seu Pai” (Apoc. 14:1).

*******
DESTRINCHANDO OS INTERLOCUTORES DO DIÁLOGO NO CAPÍTULO 22 DE APOCALIPSE

A interpretação do Livro de Apocalipse de João se torna mais difícil porque o autor escreveu frases misturadas de dois ou mais interlocutores no diálogo. E, portanto, o bom exegeta deve saber separar as falas dos interlocutores. Alguns fatos no livro de Apocalipse não estão colocados em ordem cronológica.

No Céu existe apenas um Trono especial onde se assenta o Deus, Todo-Poderoso. Se existisse a suposta trindade, haveria três tronos especiais no Céu, ao invés de dois ou um só.

Primeiramente, temos que diferenciar os dois personagens que supostamente se assentam juntos no Trono principal no Céu, nas diversas visões dos profetas. Um desses dois personagens é superior e é chamado de o Senhor Deus, Todo-Poderoso, ao qual deve ser direcionada toda adoração. O outro personagem é um pouco inferior, mas também é poderoso, ao qual devemos honras e louvores, mas nunca a adoração. Este segundo personagem sempre fica posicionado à destra (à direita) do que está assentado no Trono principal. Este personagem que se assenta à destra de Deus tem o cargo de Primeiro Ministro; ou seja, ele é o braço direito de Deus, aquele que coordenada e executa todos os planos de Deus, e também o que lidera as hostes celestiais, como um todo.

O texto mais adequado para diferenciar Deus-Pai, Todo-Poderoso e Jesus, o Cordeiro, é o de Daniel 7:9-10, 13-14. Neste fato narrado no livro de Daniel podemos ver claramente a distinção entre Deus-Pai e Jesus, o Filho do Homem. Leia e perceba a distinção:

“Eu continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e um Ancião de Dias se assentou; o seu vestido era branco como a neve, e o cabelo da sua cabeça como lã puríssima; o seu trono era de chamas de fogo, e as rodas dele eram fogo ardente. Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e miríades de miríades assistiam diante dele. Assentou-se [no Trono] para o juízo, e os livros foram abertos. (…) Eu estava olhando nas minhas visões noturnas, e eis que vinha com as nuvens do céu um como Filho de Homem; e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e foi apresentado diante dele. E foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído”.

Podemos perceber que o Ser poderoso, denominado de Filho de Homem, é inferior ao Ser poderosíssimo, denominado de Ancião de Dias, que está assentado no Trono. Eis a distinção clara entre Deus-Pai e Jesus. E isso não tem nada a ver com trindade. Deus é um só. Paulo fez essa distinção de forma clara, e não fez menção a um terceiro personagem. Desta forma, não existe possibilidade de uma pessoa de bom senso admitir que exista a tal trindade.

“Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também” (I Cor. 8:6).

Jesus, o Cordeiro, nunca aparece assentado sobre um alto e sublime Trono. Sempre o vemos assentado à destra (à direita) da Majestade no Céu. Nunca se diz que o Cordeiro está assentado sobre um trono, no Céu, mas sempre se diz que Ele está posicionado à destra do Trono de Deus. Estêvão teve uma visão do Céu e viu Jesus em pé à destra do Trono de Deus. Ele viu Jesus em pé e não assentado sobre um trono.

“Mas ele, cheio do Espírito Santo, fitando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus em pé à direita de Deus, e disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem em pé à direita de Deus.” (Atos 7:55-56).

E tem outro detalhe interessante no livro de Apocalipse que os teólogos tradicionais não percebem. Se Jesus fosse Deus, Ele também seria adorado pelos 24 anciãos e por todos os anjos que se prostram diante do Deus Todo-Poderoso que se assenta sobre o Trono. Toda vez que os anciãos se prostram para adorar, nunca o texto diz que eles se prostram diante do Cordeiro. O texto diz que APENAS UM estava assentado sobre o alto e sublime Trono.

“Imediatamente fui arrebatado em espírito, e eis que um Trono estava posto no Céu, e um assentado sobre o Trono” (Apoc. 4:2).

Repare na seguinte citação que todos os anjos no Céu se prostram e adoram ao que está assentado no Trono, e mesmo o Cordeiro sendo citado, mas nunca Ele é adorado. Toda adoração é direcionada só ao que está assentado no alto e sublime Trono.

“E clamavam com grande voz: Salvação ao nosso Deus, que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro. E todos os anjos estavam em pé ao redor do trono e dos anciãos e dos quatro seres viventes, e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos, e adoraram a Deus, dizendo: Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ações de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém” (Apoc. 7:10-12).

Se Jesus será Advogado dos pecadores no julgamento do último dia, logo, Ele não estará assentado sobre um trono, mas tão-somente o Juiz, o Deus Todo-Poderoso.

“E vi um grande Trono Branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiram a terra e o céu; e não foi achado lugar para eles” (Apoc. 20:11).

OUTRAS REFERÊNCIAS QUE MOSTRAM QUEM SE ASSENTA SOBRE O ALTO E SUBLIME TRONO NO CÉU, E ONDE JESUS, O CORDEIRO, FICA POSICIONADO:

“Micaías prosseguiu: Ouve, pois, a palavra do Senhor! Vi o Senhor assentado no seu trono, e todo o exército celestial em pé junto a ele, à sua direita e à sua esquerda” (I Reis 22:19).

“Prosseguiu Micaías: Ouvi, pois, a palavra do Senhor! Vi o Senhor assentado no seu trono, e todo o exército celestial em pé à sua direita e à sua esquerda” (II Crônicas 18:18).

“O Senhor está no seu santo templo, o trono do Senhor está nos céus; os seus olhos contemplam, as suas pálpebras provam os filhos dos homens” (Salmos 11:4).

“Deus reina sobre as nações; Deus está sentado sobre o seu santo trono” (Salmos 47:8).

“O Senhor estabeleceu o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo” (Salmos 103:19).

“No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as orlas do seu manto enchiam o templo” (Isaías 6:1).

“Assim diz o Senhor: O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés. Que casa me edificaríeis vós? e que lugar seria o do meu descanso?” (Isaías 66:1).

“E sobre o firmamento, que estava por cima das suas cabeças, havia uma semelhança de trono, como a aparência duma safira; e sobre a semelhança do trono havia como que a semelhança dum homem, no alto, sobre ele” (Ezequiel 1:26).

“Eu continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e um ancião de dias se assentou; o seu vestido era branco como a neve, e o cabelo da sua cabeça como lã puríssima; o seu trono era de chamas de fogo, e as rodas dele eram fogo ardente. Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e miríades de miríades assistiam diante dele. Assentou-se [no Trono] para o juízo, e os livros foram abertos. (…) Eu estava olhando nas minhas visões noturnas, e eis que vinha com as nuvens do céu um como filho de homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e foi apresentado diante dele. E foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído” (Daniel 7:9-10, 13-14).

“E quem jurar pelo céu jura pelo trono de Deus e por aquele que nele está assentado” (Mateus 23:22).

“Repondeu-lhe Jesus: É como disseste; contudo vos digo que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder” (Mateus 26:64).

“Mas desde agora estará assentado o Filho do homem à mão direita do poder de Deus” (Lucas 22:69).

“Ora, do que estamos dizendo, o ponto principal é este: Temos um sumo sacerdote tal, que se assentou nos céus à direita do trono da Majestade” (Hebreus 8:1).

“Nisto vi, entre o trono e os quatro seres viventes, no meio dos anciãos, um Cordeiro em pé, como havendo sido morto, e tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus, enviados por toda a terra” (Apoc. 5:6).

“E clamavam com grande voz: Salvação ao nosso Deus, que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro” (Apoc. 7:10).

“Porque o Cordeiro que está no meio, diante do trono, os apascentará e os conduzirá às fontes das águas da vida; e Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima” (Apoc. 7:17).

Jesus disse a Pilatos que o seu reino não era deste mundo. Porém, o reino de Cristo não está no Céu. O Reino de Cristo é aqui na Terra, mas ainda está por ser estabelecido. Jesus também se assentará sobre um trono no seu reino, mas esse trono não é o mesmo do Deus, Todo-Poderoso. O reino dos homens é caracterizado por conflitos, guerras, ódio, injustiças e opressão. Porém, o Reino de Cristo será de paz, de amor, de justiça e de prosperidade.

“Para que comais e bebais à minha mesa no meu reino, e vos senteis sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel” (Lucas 22:30).

“Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; entretanto o meu reino não é daqui” (João 18:36).

“E tocou o sétimo anjo a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: O reino do mundo passou a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos” (Apoc. 11:15).

*******
AGORA, EXPLICANDO APOCALIPSE 22

“Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e, enviando-as pelo seu anjo, as notificou a seu servo João” (Apoc. 1:1).

“Eu, João, irmão vosso e companheiro convosco na aflição, no reino, e na perseverança em Jesus, estava na ilha chamada Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia. E voltei-me para ver quem falava comigo. E, ao voltar-me, vi sete candeeiros de ouro, e no meio dos candeeiros um semelhante a filho de homem, vestido de uma roupa talar, e cingido à altura do peito com um cinto de ouro; e a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve; e os seus olhos como chama de fogo; e os seus pés, semelhantes a latão reluzente que fora refinado numa fornalha; e a sua voz como a voz de muitas águas. Tinha ele na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois gumes; e o seu rosto era como o sol, quando resplandece na sua força. Quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último. Eu sou o que vivo; fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre! e tenho as chaves da morte e do inferno. Escreve, pois, as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de suceder. Eis o mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete candeeiros de ouro: as estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas” (Apoc. 1:9-20).

“Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu, e a primeira voz que ouvira, voz como de trombeta, falando comigo, disse: Sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer. (…) E do trono saíam relâmpagos, e vozes, e trovões; e diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete espíritos de Deus” (Apoc. 4:1, 5).

“E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. Disse-me ainda: Estas são as verdadeiras palavras de Deus. Então me lancei a seus pés para adorá-lo, mas ele me disse: Olha, não faças tal: sou conservo teu e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus; adora a Deus; pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia” (Apoc. 19:9-10).

“Nela não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro” (Apoc. 21:22).

APOCALIPSE 22 (AS FALAS DOS INTERLOCUTORES SEPAREI POR CORES)

AZUL: João VERDE: Deus Todo-Poderoso VERMELHO: Jesus Cristo

1 E mostrou-me o rio da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro.
2 No meio da sua praça, e de ambos os lados do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a cura das nações.
3 Ali não haverá jamais maldição. Nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão,
4 e verão a sua face; e nas suas frontes estará o seu nome.
5 E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de luz de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumiará; e reinarão pelos séculos dos séculos.
6 E disse-me: Estas palavras são fiéis e verdadeiras; e o Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou o seu anjo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer.
7 Eis que cedo venho! Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro.
8 Eu, João, sou o que ouvi e vi estas coisas. E quando as ouvi e vi, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava, para o adorar.
9 Mas ele me disse: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus.
10 Disse-me ainda: Não seles as palavras da profecia deste livro; porque próximo está o tempo.
11 Quem é injusto, faça injustiça ainda: e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, santifique-se ainda.
12 Eis que cedo venho e está comigo a minha recompensa, para retribuir a cada um segundo a sua obra.
13 Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o derradeiro, o princípio e o fim.
14 Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes [no sangue do Cordeiro] para que tenham direito à arvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas.
15 Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todo o que ama e pratica a mentira.
16 Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas a favor das igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã.
17 E o Espírito e a noiva dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, receba de graça a água da vida.
18 Eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro: Se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste livro;
19 e se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão descritas neste livro.
20 Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém; vem, Senhor Jesus.
21 A graça do Senhor Jesus seja com todos.

*******
O significado da palavra SERVO, segundo o dicionário Aurélio:

[Do lat. servu.]
S. m.
1.
Aquele que não tem direitos, ou não dispõe de sua pessoa e bens.
2.
Na época feudal, indivíduo cujo serviço estava adstrito à gleba e se transferia com ela, embora não fosse escravo.
3.
Criado, servidor, servente; serviçal.
4.
Escravo (6).

O que significa a palavra CONSERVO?

Segundo os dicionários da internet:

Conservo: Aquele que é servo, juntamente com outrem.
Ou conservo: Aquele que serve junto com outro servo, ou o que serve igualmente.

E o significado de ANJO?

Segundo o Aurélio:

[Do gr. ángelos, pelo lat. angelu.]
S. m.
1. Ser espiritual que, segundo a teologia cristã, a hebraica e a islâmica, serve de mensageiro entre Deus e os homens. 

Pelas definições dadas, acima, conclui-se que os anjos não são servos. Anjos são mensageiros de Deus e não estão listados na categoria de criados, serventes ou escravos. Anjos são seres especiais. Estão listados na categoria de mensageiros, isto é, embaixadores, administradores, executores.

Note que os anjos não são considerados SERVOS de Deus. Esse conceito de servo e conservo é mais aplicado a nós, seres humanos, que adoram e servem a Deus, e rendem-lhe tributos.

Portanto, esse Ser poderoso ao qual João quis adorar é mais que um anjo. Um anjo comum não pode dizer que é conservo nosso e de nossos irmãos, e dos que guardam as palavras do livro de Apocalipse. Pois os anjos não guardam as palavras de livro algum.

Jesus é servo porque Ele se fez carne e veio habitar entre os homens. Por isso, Jesus, além de Rei e Senhor, é também nosso irmão e conservo de Deus.

Se esse anjo que fala com João em Apoc.22:9 diz que é um conservo de João e de seus irmãos, logo, percebe-se que esse anjo não é um anjo comum; é mais que um anjo. Jesus mesmo se declarou ser um SERVO de Deus. E os profetas também testificam que Jesus seria um SERVO do Senhor. Vejamos:

“E suscitarei sobre elas um só pastor para as apascentar, o meu servo Davi. Ele as apascentará, e lhes servirá de pastor; e eu, o Senhor, serei o seu Deus, e o meu servo Davi será príncipe no meio delas; eu, o Senhor, o disse.” (Ezequiel 34:23-24).

“Também meu servo Davi reinará sobre eles, e todos eles terão um pastor só; andarão nos meus juízos, e guardarão os meus estatutos, e os observarão” (Ezequiel 37:24).

“Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo justo justificará a muitos, e as iniqüidades deles levará sobre si” (Isaías 53:11).

“Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (João 5:30).

“Prosseguiu, pois, Jesus: Quando tiverdes levantado o Filho do homem, então conhecereis que eu sou, e que nada faço de mim mesmo; mas como o Pai me ensinou, assim falo” (João 8:28).

“Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens” (Fil. 2:5-7).

Nesta passagem de Paulo aos filipenses, ele não está declarando que Jesus é Deus. Está apenas dizendo que Jesus era um ente divino que estava com Deus, mas não era Deus.

A FRASE “EU SOU O ALFA E O ÔMEGA”, DE QUEM É?

Apenas três vezes é pronunciada a frase “Eu sou o Alfa e o Ômega” no Apocalipse de João. E apenas uma delas foi pronunciada diretamente por Deus. As outras duas citações desta frase são repetições que João acrescentou quando fazia a introdução e conclusão do livro.

“Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Apoc. 1:8).

“Disse-me ainda: está cumprido: Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem tiver sede, de graça lhe darei a beber da fonte da água da vida” (Apoc. 21:6).

“Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o derradeiro, o princípio e o fim” (Apoc. 22:13).

A frase “Eu sou o Alfa e o Ômega” não faz parte do diálogo entre João e o anjo poderoso no final do capítulo 22. Esta frase foi intercalada no texto pelo próprio João, assim como o fez logo na introdução do livro. Pois, na introdução do livro de Apocalipse João não está dialogando com Jesus, mesmo assim ele cita a frase “Eu sou o Alfa e o Ômega”, frase dita por Deus-Pai em Apoc. 21:6).

Esse anjo ao qual João se prostrou para adorar não é um anjo comum. Durante as visões dos acontecimentos, alguns anjos se dirigiram a João e dialogaram com ele. Porém, esse anjo que João diz ter pretendido adorar é um anjo muito poderoso, diferentemente dos demais anjos. E João bem sabia que um anjo não pode ser adorado.

A prova que esse Anjo que João quis adorar é Jesus resume-se na frase que diz: “pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia”.

“Então me lancei a seus pés para adorá-lo, mas ele me disse: Olha, não faças tal: sou conservo teu e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus; adora a Deus; pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia” (Apoc. 19:10).

Ora, quem passava as visões a João e ordenava-lhe que as escrevesse era Jesus. Em Apoc. 1:2 João declara que viu e ouviu o testemunho de Jesus. Por isso ele diz que o testemunho de Jesus é o espírito da profecia.

“E, enviando-as pelo seu anjo, as notificou a seu servo João; o qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, de tudo quanto viu”.

A expressão “espírito da profecia” quer dizer a verdade da profecia ou a autenticidade da profecia, pois, espírito é vida. Por isso, Jesus sempre dizia a João que “estas palavras são fiéis e verdadeiras” ou “estas são as verdadeiras palavras de Deus”. Jesus nunca mentiu e nunca houve engano em sua boca. Daí a razão de seu testemunho ser autêntico.

*******
QUANTOS INTERLOCUTORES HÁ NA NARRATIVA?

Os teólogos tradicionais acham que na narrativa do capítulo 22 de Apocalipse há o diálogo de três interlocutores: João, um anjo e Jesus. Eu, também, identifico três interlocutores na narrativa, conforme sublinhei com cores diferentes as palavras de cada um: João, Deus-Pai e Jesus. Na minha perspectiva, não há diálogo de um anjo comum a partir de Apoc. 22:6-20.

Note que as visões de Apocalipse 21:1-8 são reveladas por Jesus, o anjo poderoso, aquele que sempre diz “Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras”. A partir de Apoc, 21:9 até 22:5 João narra as visões mostradas por um anjo comum. Do versículo 6 até o 20 João faz uma espécie de síntese dos relatos. Veja que após o versículo 5 ele repete novamente a frase “E disse-me: Estas palavras são fiéis e verdadeiras”. Nesse momento da narrativa não existe lógica para João escrever essa frase, pois ele não estava dialogando com ninguém; apenas estava narrando as visões.

Portanto, a partir do versículo 6 de Apoc. 22 João faz a concussão final do seu livro. E nesse trecho podemos observar as falas de três interlocutores.

Devemos atentar para o seguinte detalhe: as visões do Apocalipse foram dadas por Jesus Cristo, e isto está evidente logo na introdução do livro. Nenhum outro anjo ordenou João a escrever. As revelações foram dadas exclusivamente por Jesus a João. E no capítulo 22 de Apocalipse João declara que o anjo, ao qual ele se prostrou para adorar, foi quem lhe passou as revelações. Logo, esse anjo era Jesus. Compare:

“Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e, enviando-as pelo seu anjo, as notificou a seu servo João” (Apoc. 1:1).

“E disse-me: Estas palavras são fiéis e verdadeiras; e o Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou o seu anjo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer” (Apoc. 22:6).

Deus deu as revelações a Jesus, e Ele as notificou a João e ordenou que ele as escrevesse num livro e enviasse pelos sete anjos (sete estrelas) cartas às sete igrejas da Ásia.

O diálogo no final de Apocalipse 22 é um apanhado geral das visões que João tentou resumir.

Repare que João repete algumas frases que antes já havia escrito. Por exemplo, João não se ajoelhou duas vezes diante do Anjo para adorá-lo. Só que ele fala do mesmo fato em dois momentos. Se João tentou uma vez se ajoelhar para adorar o Anjo, é claro que esse gesto ele jamais repetiria depois.

“Estas são as verdadeiras palavras de Deus. Então me lancei a seus pés para adorá-lo, mas ele me disse: Olha, não faças tal: sou conservo teu e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus; adora a Deus; pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia” (Apoc. 19:9-10).

“E disse-me: Estas palavras são fiéis e verdadeiras. [Repetição de frase]. (…) E quando as ouvi e vi, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava, para o adorar. Mas ele me disse: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus”. [Repetição do mesmo fato]. (Apoc. 22:6, 9).

*******
JESUS É O ANJO GABRIEL?

A seita dos Adventistas do Sétimo Dia Ortodoxos ensina que Jesus é o mesmo arcanjo Miguel. Porém, uma vertente dos Adventistas do Sétimo Dia ensina que o anjo poderoso que apareceu a Daniel (Dn 10) é o anjo Gabriel. No entanto, se compararmos as descrições que Daniel fez desse Ser poderoso que lhe apareceu com o Ser poderoso que apareceu a João na ilha de Patmos, podemos concluir que se trata da mesma pessoa. Se esse Ser poderoso que apareceu a Daniel às margens do rio Tigre é o anjo Gabriel, então, conclui-se que o Ser poderoso que apareceu a João na ilha de Patmos é o mesmo anjo Gabriel. Vamos comparar as características?

Mas, antes, entenda uma coisa: OS ANJOS POSSUEM ASAS – SÃO SERES ALADOS. E esse Ser poderoso que apareceu a Daniel e João parece não ser um anjo, porque eles o descrevem da mesma forma, mas não falam nada sobre possuir asas, e além do mais o identificam como “um homem”. E todos sabem que Jesus, sendo um Ser híbrido, divino e humano, não possui asas. Pelo menos não possuía asas mesmo após a ressurreição. No entanto, João identifica Jesus como um ANJO no último capítulo de Apocalipse. Repare nas semelhanças dos seres poderosos que apareceram a João e Daniel. Perceba que Daniel identifica esse ser poderoso como UM HOMEM trajando-se de linho, e não como um anjo. No entanto, os anjos também são vistos trajando-se com vestidos de linho. Já os anjos administradores trazem os lombos cingidos com cinto de ouro.

Daniel sempre se refere a este Ser poderoso que lhe apareceu chamando-o de “homem vestido de linho”. Parece estranho Daniel não o identificá-lo como um anjo (Dn 10:5; 12:6-7). Jesus foi envolto num pano de linho (Mateus 27:59). Apesar dos anjos serem alados (possuírem asas com penas, creio eu), mas eles também se vestem de linho puro e resplandecente. No entanto, só os anjos que administram no santuário celestial é que possuem os lombos cingidos com cinto de ouro (Apoc. 15:6; 19:14).

Portanto, esse ser poderoso que apareceu a Daniel e João tem semelhança de HOMEM, e é um Ser muito mais poderoso que os demais anjos. Vejamos.

DANIEL 10:4-21

4 No dia vinte e quatro do primeiro mês, estava eu à borda do grande rio, o Tigre;
5 levantei os meus olhos, e olhei, e eis um homem vestido de linho e os seus lombos cingidos com ouro fino de Ufaz;
6 o seu corpo era como o berilo, e o seu rosto como um relâmpago; os seus olhos eram como tochas de fogo, e os seus braços e os seus pés como o brilho de bronze polido; e a voz das suas palavras como a voz duma multidão.
7 Ora, só eu, Daniel, vi aquela visão; pois os homens que estavam comigo não a viram: não obstante, caiu sobre eles um grande temor, e fugiram para se esconder.
8 Fiquei pois eu só a contemplar a grande visão, e não ficou força em mim; desfigurou-se a feição do meu rosto, e não retive força alguma.
9 Contudo, ouvi a voz das suas palavras; e, ouvindo o som das suas palavras, eu caí num profundo sono, com o rosto em terra.
10 E eis que uma mão me tocou, e fez com que me levantasse, tremendo, sobre os meus joelhos e sobre as palmas das minhas mãos.
11 E me disse: Daniel, homem muito amado, entende as palavras que te vou dizer, e levanta-te sobre os teus pés; pois agora te sou enviado. Ao falar ele comigo esta palavra, pus-me em pé tremendo.
12 Então me disse: Não temas, Daniel; porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras, e por causa das tuas palavras eu vim.
13 Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu o deixei ali com os reis da Pérsia.
14 Agora vim, para fazer-te entender o que há de suceder ao teu povo nos derradeiros dias; pois a visão se refere a dias ainda distantes.
15 Ao falar ele comigo estas palavras, abaixei o rosto para a terra e emudeci.
16 E eis que um que tinha a semelhança dos filhos dos homens me tocou os lábios; então abri a boca e falei, e disse àquele que estava em pé diante de mim: Senhor meu, por causa da visão sobrevieram-me dores, e não retenho força alguma.
17 Como, pois, pode o servo do meu Senhor falar com o meu Senhor? pois, quanto a mim, desde agora não resta força em mim, nem fôlego ficou em mim.
18 Então tornou a tocar-me um que tinha a semelhança dum homem, e me consolou.
19 E disse: Não temas, homem muito amado; paz seja contigo; sê forte, e tem bom ânimo. E quando ele falou comigo, fiquei fortalecido, e disse: Fala, meu senhor, pois me fortaleceste.
20 Ainda disse ele: Sabes por que eu vim a ti? Agora tornarei a pelejar contra o príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o príncipe da Grécia.
21 Contudo eu te declararei o que está gravado na escritura da verdade; e ninguém há que se esforce comigo contra aqueles, senão Miguel, vosso príncipe.

APOCALIPSE 1:9-18

9 Eu, João, irmão vosso e companheiro convosco na aflição, no reino, e na perseverança em Jesus, estava na ilha chamada Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
10 Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta,
11 que dizia: O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia.
12 E voltei-me para ver quem falava comigo. E, ao voltar-me, vi sete candeeiros de ouro,
13 e no meio dos candeeiros um semelhante a filho de homem, vestido de uma roupa talar [vestido de linho], e cingido à altura do peito com um cinto de ouro;
14 e a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve; e os seus olhos como chama de fogo;
15 e os seus pés, semelhantes a latão reluzente que fora refinado numa fornalha; e a sua voz como a voz de muitas águas.
16 Tinha ele na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois gumes; e o seu rosto era como o sol, quando resplandece na sua força.
17 Quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo: Não temas; [eu sou o primeiro e o último].
18 Eu sou o que vivo; fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre! e tenho as chaves da morte e do inferno.

Acho que a frase “eu sou o primeiro e o último” é um acréscimo que João fez por conta própria na narrativa. Pois, a frase “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim” não foi pronunciada por Jesus, mas pelo Deus Todo-Poderoso, conforme está descrito em 21:6.

Azul: João Verde: Deus-Pai Vermelho: Jesus

“E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve; porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Disse-me ainda: está cumprido: Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem tiver sede, de graça lhe darei a beber da fonte da água da vida. Aquele que vencer herdará estas coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho” (Apoc. 21:5-7).

Atenção: Quem ordena João a escrever é Jesus. E se Jesus diz que as palavras que vem do trono são fiéis e verdadeiras, logo, não é ele quem as pronuncia, mas sim, o Deus Todo-Poderoso, que está assentado no trono. Em outras palavras, Jesus ordena João a escrever as palavras que vem direto do trono. Portanto, quem pronuncia a frase “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim” é Deus, Todo-Poderoso, e não Jesus.

Apenas três vezes é repetida a frase “Eu sou o Alfa e o Ômega” no Apocalipse. E esta frase é de autoria de Deus-Pai, e não de Jesus. Vejamos.

“Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Apoc. 1:8).

Esta frase é pronunciada logo na introdução do livro de Apocalipse, e pelo contexto da narrativa, João está fazendo menção ao que Deus-Pai falou tempos depois, não neste exato momento em que escreve a introdução do livro.

Repare que do versículo primeiro até o sétimo João está fazendo a introdução do livro, saudando as igrejas, e conclui com a palavra “amém”. O versículo que vem logo depois, o oitavo, é uma frase isolada que João pronuncia: “Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso”. Repare que João, no momento que pronuncia esta frase, não está conversando com ninguém. Portanto, essa frase não faz parte de um diálogo, mas é apenas uma frase isolada que João colocou entre as suas próprias palavras, de tão ansioso que estava para escrever as visões.

“Quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último” (Apoc. 1:17).

A frase “eu sou o primeiro e o último” parece não ser de autoria de Jesus, mas apenas um acréscimo que João fez por conta própria. Esse mesmo gesto de Jesus de colocar a mão direita (destra) sobre João também foi feita pelo ser poderoso que apareceu a Daniel. E o ser poderoso que apareceu a Daniel não disse que era “o primeiro e o último”.

“Contudo, ouvi a voz das suas palavras; e, ouvindo o som das suas palavras, eu caí num profundo sono, com o rosto em terra. E eis que uma mão me tocou, e fez com que me levantasse, tremendo, sobre os meus joelhos e sobre as palmas das minhas mãos. E me disse: Daniel, homem muito amado, entende as palavras que te vou dizer, e levanta-te sobre os teus pés; pois agora te sou enviado. Ao falar ele comigo esta palavra, pus-me em pé tremendo. Então me disse: Não temas, Daniel; porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras, e por causa das tuas palavras eu vim” (Dn 10:9-12).

“Disse-me ainda: está cumprido: Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem tiver sede, de graça lhe darei a beber da fonte da água da vida” (Apoc. 21:6).

“Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o derradeiro, o princípio e o fim” (Apoc. 22:13).

“Quando o vi, caí a seus pés como um morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último” (Apoc. 1:17).

A PROVA FATAL DE QUE JESUS NÃO É DEUS

No final do capítulo 10 do livro de Daniel, o Ser poderoso que apareceu a Daniel confessa que não é tão poderoso assim, pois disse que o príncipe da Pérsia lhe resistiu por 21 dias, o impedindo de trazer a resposta de sua oração, e ainda declarou que só havia um que o ajudava na batalha: o arcanjo Miguel.

“Então tornou a tocar-me um que tinha a semelhança dum homem, e me consolou. E disse: Não temas, homem muito amado; paz seja contigo; sê forte, e tem bom ânimo. E quando ele falou comigo, fiquei fortalecido, e disse: Fala, meu senhor, pois me fortaleceste. Ainda disse ele: Sabes por que eu vim a ti? Agora tornarei a pelejar contra o príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o príncipe da Grécia. Contudo eu te declararei o que está gravado na escritura da verdade; e ninguém há que se esforce comigo contra aqueles, senão Miguel, vosso príncipe” (Dn 10:18-21).

Esses príncipes da Pérsia e da Grécia são os anjos poderosos a serviço de Satanás, que lutam contra os anjos de Deus.

*******
AS FRASES PRÓPRIAS DE JOÃO QUE ELE ENXERTOU NA NARRATIVA

Na narrativa de João das cartas às sete igrejas da Ásia, ele introduz cada carta com suas próprias palavras, e só depois escreve o que realmente Jesus ordenou que escrevesse. E numa dessas introduções João denomina Jesus de “Filho de Deus”. E Jesus nunca chamou a si mesmo de Filho de Deus.

Veja a introdução que João faz com suas próprias palavras quando escreve as cartas. As frases de cor roxa são do próprio João; as de cor vermelha são de Jesus.

A frase “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” é um bordão que João utilizou para chamar a atenção sobre as coisas que havia escrito em cada uma das cartas. Essa frase não é de autoria de Jesus.

“Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete candeeiros de ouro: Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua perseverança” (Apoc. 2:1-2).

“Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto e reviveu: Conheço a tua tribulação e a tua pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que dizem ser judeus, e não o são, porém são sinagoga de Satanás. (Apoc. 2:8-9).

“Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois gumes: Sei onde habitas, que é onde está o trono de Satanás” (Apoc. 2:12-13).

“Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes a latão reluzente: Conheço as tuas obras, e o teu amor, e a tua fé, e o teu serviço, e a tua perseverança, e sei que as tuas últimas obras são mais numerosas que as primeiras” (Apoc. 2:18-19).

Dá para se perceber que a frase “Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes a latão reluzente” não é de autoria de Jesus. Jesus não podia referir-se a si mesmo desta maneira, pois quem viu e descreveu Jesus com os olhos como chama de fogo e pés semelhantes ao latão reluzente foi João. Jesus não se viu a si mesmo dessa maneira, de forma a descrever-se numa carta. Logo, percebe-se que todas as descrições que João faz de Jesus na introdução das cartas são de sua autoria.

“Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Isto diz aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as estrelas: Conheço as tuas obras; tens nome de que vives, e estás morto” (Apoc. 3:1).

“Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre: Conheço as tuas obras (eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, que ninguém pode fechar)” (Apoc. 3:7-8).

“Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; oxalá foras frio ou quente!” (Apoc. 3:14-15).

Nos quatro evangelhos Jesus sempre se chama a si mesmo de “FILHO DO HOMEM” 77 vezes, e nunca se chama a si mesmo de “Filho de Deus”.

Em Mateus 27:43 os principais sacerdotes, escribas e anciãos escarneciam de Jesus, dizendo: “Confiou em Deus, livre-o ele agora, se lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus”. Apesar de imputarem a frase “Filho de Deus” a Jesus, mas Ele mesmo nunca se declarou ser “Filho de Deus”. A frase que Cristo sempre usava para se referir a si mesmo era “Filho do homem”.

Em Lucas 22:69-70, Jesus no Sinédrio, ao ser inquirido pelos anciãos se Ele se declarava ser o Filho de Deus, Jesus respondeu que eles (os anciãos) é que diziam que Ele era Filho de Deus. Ele, porém, sempre se declarou ser Filho do homem.

“Mas desde agora estará assentado o Filho do homem à mão direita do poder de Deus. Ao que perguntaram todos: Logo, tu és o Filho de Deus? Respondeu-lhes: Vós dizeis que eu sou”.

É a mesma coisa que Jesus ter dito assim: “Vocês é que estão dizendo que eu sou Filho de Deus; eu sou Filho do homem”.

Em João 5:25 João, na hora de escrever, trocou a expressão “Filho do homem” por “Filho de Deus”. Repito: Jesus nunca chamou a si mesmo de Filho de Deus.

“Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão”.

Novamente em João 10:36 e 11:4 João troca a expressão “Filho de homem” por “Filho de Deus”.

“Àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, dizeis vós: Blasfemas; porque eu disse: Sou Filho de Deus?”.

“Jesus, porém, ao ouvir isto, disse: Esta enfermidade não é para a morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela”.

O Evangelho de João é considerado um evangelho esotérico, porque João emprega muitos termos de cunho esotérico, como ‘filho de Deus’, ‘verbo’, ‘unigênito’, ‘novo nascimento’. Por essa razão João trocou muitas vezes a expressão ‘filho do homem’ por ‘filho de Deus’. E só a título de curiosidade: o Evangelho de João parece não ter sido escrito pelo punho do próprio João, pois muitos fatos narrados parece não terem sido presenciados pelo mesmo. Se fosse mesmo João, discípulo de Cristo, o narrador dos fatos no Evangelho que leva o seu nome, por certo teria narrado com mais precisão, pois ele foi testemunha ocular da história de Jesus. O mesmo fato estranho acontece no livro de Apocalipse. João narra o Apocalipse, dialoga com Jesus, mas parece que esse Jesus do Apocalipse lhe é um ser estranho. Se João era o discípulo amado, por que não demonstrou maior intimidade ao dialogar com Jesus no livro de Apocalipse?

Os próprios discípulos Jesus nunca tentaram adorá-lo. Se seus discípulos tivessem tentado lhe adorar, por certo os teria repreendido, dizendo para adorarem a Deus, pois Ele era servo e conservo deles.

O momento que Jesus se transfigurou diante dos seus discípulos no monte (Mateus 17), foi a oportunidade que eles tiveram de se prostrar diante dele e adorá-lo, mas não o fizeram, pois sabiam que Jesus não era Deus, para ser adorado.

*******
QUEM SÃO OS ANJOS DAS IGREJAS

Aprendi na Escola Dominical que o anjo de cada uma das sete igrejas da Ásia Menor para onde João enviou as cartas, é o PASTOR local. E todos aprendem esses falsos ensinos nas igrejas evangélicas porque isso vem passando de geração em geração, e ninguém se levanta para questionar, pois, já são doutrinados para aceitar tudo que os líderes ensinam.

Na verdade, os anjos das igrejas são os sete anjos emissários que assistem diante do Cordeiro. Esses anjos são as sete estrelas que ficam à destra de Jesus. Jesus ordenou João a escrever as mensagens às sete igrejas, e enviá-las pelos seus anjos emissários.

“Tinha ele na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois gumes; e o seu rosto era como o sol, quando resplandece na sua força” (Apoc. 1:16).

“Eis o mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete candeeiros de ouro: as estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas” (Apoc. 1:20).

“Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete candeeiros de ouro” (Apoc. 2:1).

Quando Jesus ordena a João, dizendo: “Ao anjo da igreja em Éfeso escreve”, ele está se referindo ao anjo emissário que devia levar a mensagem à igreja. Se são sete anjos emissários, então, esta é a razão de Jesus ter escolhido apenas sete igrejas da Ásia.

Além desses sete anjos emissários que assistem diante do Cordeiro, há também sete espíritos que assistem diante do Trono de Deus. Esses sete espíritos que assistem diante do Trono são anjos muito poderosos, assim como os arcanjos. Os hereges trinitarianos afirmam que esses sete espíritos de Deus, que são enviados por toda a Terra, são uma representação simbólica da 3ª pessoa da trindade, isto é, o Espírito Santo.

“João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça a vós e paz da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono” (Apoc. 1:4).

“Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Isto diz aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as estrelas: Conheço as tuas obras; tens nome de que vives, e estás morto” (Apoc. 3:1).

“E do trono saíam relâmpagos, e vozes, e trovões; e diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete espíritos de Deus” (Apoc. 4:5).

“Nisto vi, entre o trono e os quatro seres viventes, no meio dos anciãos, um Cordeiro em pé, como havendo sido morto, e tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus, enviados por toda a terra” (Apoc. 5:6).

O profeta Zacarias também teve a visão desses sete espíritos que assistem diante de Deus. Com isso podemos constatar que não se trata de uma alegada 3ª pessoa da trindade. Zacarias também vê os dois ramos de oliveira, que representam os dois ungidos que assistem diante de Deus. Há quem diga que esses dois ungidos são Moisés e Elias, os mesmos que apareceram a Jesus no monte da transfiguração.

“Ora, quem despreza o dia das coisas pequenas? pois estes sete se alegrarão, vendo o prumo na mão de Zorobabel. São estes os sete olhos do Senhor, que discorrem por toda a terra. Falei mais, e lhe perguntei: Que são estas duas oliveiras à direita e à esquerda do castiçal? Segunda vez falei-lhe, perguntando: Que são aqueles dois ramos de oliveira, que estão junto aos dois tubos de ouro, e que vertem de si azeite dourado? Ele me respondeu, dizendo: Não sabes o que é isso? E eu disse: Não, meu senhor. Então ele disse: Estes são os dois ungidos, que assistem junto ao Senhor de toda a terra” (Zac. 4:10-14).

O QUE É O CORDEIRO IMÓVEL QUE FICA POSICIONADO ENTRE O TRONO PRINCIPAL E OS TRONOS DOS ANCIÃOS?

“Nisto vi, entre o trono e os quatro seres viventes, no meio dos anciãos, um Cordeiro em pé, como havendo sido morto, e tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus, enviados por toda a terra. E veio e tomou o livro da destra do que estava assentado sobre o trono” (Apoc. 5:6-7).

Este Cordeiro que fica em pé, imóvel entre os tronos, e que parecia estar morto e tinha sete chifres e sete olhos, é uma representação simbólica de Jesus. Na verdade, aquilo que João viu era uma estátua esculpida. Por isso João imaginou que fosse um cordeiro morto. E o profeta Zacarias teve a visão dessa estátua simbólica do Cordeiro. A “pedra” que o anjo se refere é Jesus.

“Pois eis aqui a pedra que pus diante de Josué; sobre esta pedra única estão sete olhos. Eis que eu esculpirei a sua escultura, diz o Senhor dos exércitos, e tirarei a iniqüidade desta terra num só dia” (Zacarias 3:9).

*******
O CORDEIRO NUNCA É ADORADO

Em todos os momentos que os anciãos, os seres viventes e os anjos se prostram para adorar o Ser Todo-Poderoso que está assentado no trono, nunca se diz que eles adoraram ao Cordeiro. E nas visões do Apocalipse o Cordeiro sempre fica posicionado no meio, entre o trono principal e os tronos dos 24 anciãos.

Só há um momento em que parece que os 24 anciãos adoraram o Cordeiro, mas mesmo aí o Cordeiro não foi adorado, apesar de ter sido mencionado na narrativa. Leia com cuidado e constate que o Cordeiro nunca é adorado. Toda adoração é dirigida ao que está sentado no Trono. Os quatro seres viventes e os anciãos se prostram diante do Cordeiro não em sentido de adoração, mas de reverência. Vejamos Apoc. 5:8-14.

8 Logo que tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.
9 E cantavam um cântico novo, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo e nação;
10 e para o nosso Deus os fizeste reino, e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra.
11 E olhei, e vi a voz de muitos anjos ao redor do trono e dos seres viventes e dos anciãos; e o número deles era miríades de miríades; e o número deles era miríades de miríades e milhares de milhares,
12 que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor.
13 Ouvi também a toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e no mar, e a todas as coisas que neles há, dizerem: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos:
14 e os quatro seres viventes diziam: Amém. E os anciãos prostraram-se e adoraram.

No versículo 14 diz que os anciãos prostraram-se e adoraram. Ora, eles não adoraram o Cordeiro, mas tão somente aquele que estava assentado no Trono.

********
A DIFERENÇA ENTRE A VOZ DE JESUS E AS VOZES DOS OUTROS ANJOS

O anjo que fala com Jesus tem a voz como de trombeta e como a voz de muitas águas, ou como a voz de grande multidão. Veja a comparação:

“Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas; (…) e a sua voz como a voz de muitas águas” (Apoc. 1:10-11, 15).

“Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu, e a primeira voz que ouvira, voz como de trombeta, falando comigo, disse: Sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer” (Apoc. 4:1).

“Depois destas coisas, ouvi no céu como que uma grande voz de uma imensa multidão, que dizia: Aleluia! A salvação e a glória e o poder pertencem ao nosso Deus; (…) Também ouvi uma voz como a de grande multidão, como a voz de muitas águas, e como a voz de fortes trovões, que dizia: Aleluia! porque já reina o Senhor nosso Deus, o Todo-Poderoso” (Apoc. 19:1, 6).

Os anjos comuns e os quatro seres viventes clamavam com grande voz, mas nunca se diz que tinham voz de trombeta ou voz de muitas águas ou de grande multidão.

CONCLUSÃO

Gostaria que você, leitor, atentasse para o seguinte detalhe da narrativa do capítulo 22 de Apocalipse.

Note que a narrativa das visões termina no versículo 5. Dos versículos 6 ao 16 João faz uma mistura de palavras de três interlocutores. No entendimento dos teólogos tradicionais, João narra a fala dele próprio, de uma anjo e de Jesus. Vou destacar com cores as falas de cada um, segundo os teólogos tradicionais.

Verde: João Vermelho: O Anjo Azul: Jesus

6 E disse-me: Estas palavras são fiéis e verdadeiras; e o Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou o seu anjo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer.
7 Eis que cedo venho! Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro.
8 Eu, João, sou o que ouvi e vi estas coisas. E quando as ouvi e vi, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava, para o adorar.
9 Mas ele me disse: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus.
10 Disse-me ainda: Não seles as palavras da profecia deste livro; porque próximo está o tempo.
11 Quem é injusto, faça injustiça ainda: e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, santifique-se ainda.
12 Eis que cedo venho e está comigo a minha recompensa, para retribuir a cada um segundo a sua obra.
13 Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o derradeiro, o princípio e o fim.
14 Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes [no sangue do Cordeiro] para que tenham direito à arvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas.

15 Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todo o que ama e pratica a mentira.
16 Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas a favor das igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã.

As falas identificadas assim estão feitas de forma tendenciosa, pois, um bom crítico literário, ou mesmo um bom intérprete de texto pode notar muitas incoerências na continuidade das frases. No meu ponto de vista, as falas dos versículos 6, 7, 9, 10, 11 e 12 são de uma mesma pessoa: Jesus. Porém, não digo que o meu ponto de vista é único correto. Cada intérprete do Apocalipse pode tirar suas próprias conclusões.

E para terminar, quero dissertar sobre a declaração do escritor aos hebreus que fez a citação de um texto apócrifo para justificar a adoração a Jesus.

“E outra vez, ao introduzir no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem” (Hebreus 1:6).

Esta citação, acima, feita pelo escritor aos hebreus, é apócrifa, porque não consta na Toráh, nem nos Salmos e nos Profetas, e também não encontra respaldo em nenhum outro livro da Bíblia.

As demais citações que o escritor da carta aos hebreus cita podem ser conferidas na Toráh, nos Salmos e nos Profetas. Quem possui uma Bíblia com concordância e referências cruzadas pode conferi-las.

Uma citação apócrifa quer dizer uma citação de uma fonte extra-bíblica, ou seja, um texto que foi retirado de um livro não canônico. E de tudo que já li em livros esotéricos e apócrifos, nem mesmo encontrei essa tal citação que diz que os anjos devem adorar o Senhor Jesus. Talvez o escritor estivesse se referindo à voz vinda dos céus no momento em que Jesus foi batizado ou na ocasião da sua transfiguração no monte. Mas, em nenhum desses casos a voz ordena que o Filho seja adorado.

“Batizado que foi Jesus, saiu logo da água; e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito Santo de Deus descendo como uma pomba e vindo sobre ele; e eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mateus 3:16-17).

“Estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu; e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi” (Mateus 17:5).

Paulo disse que depois que forem cumpridas todas as coisas, Jesus irá se sujeitar àquele que lhe sujeitou todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos. Como pode um Deus se sujeitar a outro Deus¿  E em I Cor. 15:27 Paulo é bem enfático ao dizer que o único que não ficou sujeito a Jesus é o próprio Deus. E isso é óbvio. No entanto, Jesus entregará todo o poder e autoridade a Deus-Pai e a Ele se sujeitará.

“Pois se lê: Todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz: Todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o próprio Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos” (I Cor. 15:27-28).

Logo após a ressurreição Jesus disse: “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra.” (Mateus 28:18). Ora, se Jesus era Deus, por que somente agora, depois de ressuscitar, Ele diz que recebeu autoridade¿ Logo, percebe-se que ele teve que cumprir uma missão para poder receber poder e autoridade.

Portanto, a Jesus, o Cordeiro, podemos dar honras e louvores, porque é Rei dos reis e Senhor dos senhores – só aqui na Terra. Porém, não podemos adorá-lo, visto que somente o Deus Soberano pode receber adoração.

“E todos os anjos estavam em pé ao redor do trono e dos anciãos e dos quatro seres viventes, e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos, e adoraram a Deus” (Apoc. 7:11).

“E os vinte e quatro anciãos, que estão assentados em seus tronos diante de Deus, prostraram-se sobre seus rostos e adoraram a Deus” (Apoc. 11:16).

“Então os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes prostraram-se e adoraram a Deus que está assentado no trono, dizendo: Amém. Aleluia!” (Apoc. 19:4).

Tudo o que escrevi aqui é a mais pura verdade.

Se não acredita em quase nada do que escrevi, é porque você está com a mente cauterizada por doutrinação errônea. Mas, se você se dispuser a abrir a mente, poderá reler e investigar item por item de tudo que aqui escrevi. Tenho certeza que você compreenderá a verdade, e será mais um a ensinar a Bíblia da forma correta.

 

 

 

_________________________
Falou e disse Miquels7
Manaus-AM, 01/01/2017

Anúncios

29/12/2016 - Posted by | CASOS POLEMICOS, ESCATOLOGIA BÍBLICA, ESTUDOS BÍBLICOS, MENSAGENS ESPECIAIS, MISTÉRIOS DA BÍBLIA, TEMAS DIFÍCEIS | , , , , ,

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: