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ENSINANDO O QUE É CRÍTICA LITERÁRIA AOS TEÓLOGOS TRADICIONAIS

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O que escrevo aqui é inédito no mundo e no meio teológico. Duvido que algum teólogo ou exegeta das Escrituras tenha feito uma crítica literária semelhante a esta que aqui apresento. Se surgirem comentários iguais na internet ou em livros a partir desta data, sem citar a fonte ou o autor da ideia, pode crer que é plágio, e plágio baseado em textos publicados por Miquels7 no Blog Mensagens para a Geração.

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Moisés narra o Gênesis

A maioria desses teólogos evangélicos que se formaram não sabe o que é uma crítica literária.

Cerca de 99,999% dos teólogos e intérpretes do Pentateuco não sabe que o escritor de Gênesis – Moisés – inseriu ou citou coisas relativas à Lei de Moisés, em alguns fatos da narrativa de Gênesis. A Lei de Moisés foi estabelecida centenas de anos depois dos fatos narrados no livro de Gênesis. E o autor de Gênesis fez o contrário do que é normal durante uma produção literária. Ele fez referências de coisas do presente durante a narrativa de fatos do passado. O que é um absurdo. O normal é citar textos e fatos do passado em produção de textos relativos ao presente. Ou citar fatos mais antigos em narração de fatos de um passado próximo. Moisés fez o contrário. Citou coisas da Lei ao narrar fatos de um passado remoto.

O livro de Gênesis foi supostamente escrito por Moisés cerca de 2.000 anos após os fatos terem acontecidos. Como Moisés não tinha quase nenhum material de pesquisa datado de antes dos fatos que narrou, então ele não teve como citar uma obra literária anterior, e empregou erroneamente informações do presente numa narrativa do passado.

Apesar de Moisés ter estudado as Ciências com os sábios do Egito e ter tido contato com muitos manuscritos antigos dos Sumérios, mas ele não citou nenhuma obra nominalmente durante a narrativa de Gênesis. Mas há informações ou trechos narrados em Gênesis que evidentemente ele extraiu de algum manuscrito antigo que os sacerdotes dos deuses mantinham eu seu poder. Podemos perceber que Moisés utilizou um texto sumério na primeira parte da narrativa da criação em Gênesis, que vai do capítulo um ao versículo três do segundo capítulo. O primeiro relato da criação é denominado de Elohista, pois, Moisés se refere a Deus como Elohim , cujo significado literal é “os Deuses”. No segundo relato ele emprega INDEVIDAMENTE o termo Jeová ou Javé para se referir a Deus na segunda parte da narrativa da criação, que vai do quarto versículo do capítulo dois até o versículo 24 do terceiro capítulo.

Por que digo que Moisés empregou indevidamente o nome Jeová ou Javé na narrativa de Gênesis? Simplesmente porque ele se utilizou de um nome que foi dado a conhecer centenas de anos depois dos fatos ocorridos. Se um escritor narra fatos de um passado longínquo, ele não pode empregar palavras ou frases de coisas do presente para inserir no relato, pois, isso pode se constituir numa adulteração dos fatos, e pode confundir os leitores. E é exatamente isso que ocorreu em alguns fatos narrados no livro de Gênesis, e que hoje os teólogos e exegetas passam por cima sem perceber, e isso tem gerado muitas controvérsias na formulação de algumas doutrinas.

O próprio Deus declara textualmente a Moisés que o nome Jeová ou Javé só foi dado a conhecer muito tempo depois de os deuses (Elohim) terem aparecido a Abraão em Ur dos Caldeus, na Mesopotâmia. Veja:

“Falou mais Deus a Moisés, e disse-lhe: Eu sou Jeová. Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó, como o Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome Jeová, não lhes fui conhecido. Estabeleci o meu pacto com eles para lhes dar a terra de Canaã, a terra de suas peregrinações, na qual foram peregrinos” (Êxodo 6:2-4).

Moisés empregou o nome Jeová no Gênesis de forma indevida. O termo ou nome certo que deveria ter empregado para se referir à divindade era ELOHIM, que significa “os deuses”. O próprio Deus Jeová declara a Moisés que não deu a conhecer o seu nome “Jeová” ou “Javé” a Abraão, Isaque e Jacó. O Deus Elohim apareceu a primeira vez a Abraão ainda em Ur dos Caldeus, na Mesopotâmia. Abraão, Isaque e Jacó se referiam a Deus como Elohim (os deuses), e não como Jeová. Em outras ocasiões se referiam a Deus como o “Altíssimo”, e nunca como Jeová.

“Ora, Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho, pois era sacerdote do Deus Altíssimo; e abençoou a Abrão, dizendo: bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Criador dos céus e da terra! E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos! E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo” (Gênesis 14:18-20).

MOISÉS CITOU COISAS DO PRESENTE EM NARRATIVAS DE FATOS DO PASSADO

Vejamos alguns casos em que Moisés emprega indevidamente coisas relativas à Lei em narrativa de fatos do passado. Geralmente ele faz a citação quando termina de narrar um fato, talvez para dar ênfase ou credibilidade à narrativa.

1) Após Moisés terminar a narrativa dos seis dias da criação ele conclui, dizendo: “Abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou”. Moisés narra os fatos dos seis dias da criação e conclui que Deus não trabalhou no sétimo dia, por isso, o santificou. E não foi Elohim que disse que havia santificado o sétimo dia. Quem diz é o próprio narrador, citando uma coisa do presente em um relato do passado.

A primeira parte do relato da criação termina em Gên. 2:1. Os dois versículos seguintes são uma conclusão que Moisés faz, referindo-se à santificação do Sábado estabelecido na Lei muito tempo depois.

“Ora, havendo Deus completado no dia sétimo a obra que tinha feito, descansou nesse dia de toda a obra que fizera. Abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que criara e fizera” (Gên. 2:2-3).

Portanto, Elohim não santificou o Sábado depois do 6º dia da criação. Se assim fosse os israelitas teriam observado a guarda do Sábado muito antes da Lei de Moisés. Em nenhum momento vemos os descendentes de Adão, de Sete ou de Noé guardando a Lei do Sábado. A guarda e observância do Sábado só foi estabelecida depois que os israelitas se firmaram como nação na terra de Canaã.

E o que acarreta isso para a Teologia? Há algum prejuízo à Teologia?

Há, sim. Há muito prejuízo. Porque o estudante de Teologia imagina que tudo o que Moisés escreveu foi direcionado por Deus. Ou seja, se Moisés escreveu, então foi Deus quem falou. E como expus, acima, Deus não santificou o Sábado após o sexto dia da criação, e Moisés emitiu opinião própria citando a Lei do Sábado em relato de fato do passado. Quem tirou essa conclusão que Deus santificou o Sábado após o 6º dia da criação foi o próprio Moisés. A conclusão da narrativa é opinião do próprio narrador. Por não compreenderem esse detalhe da narrativa, os teólogos adventistas empregam o texto de Gênesis 2:2-3 para provar que o Sábado foi santificado por Deus já no início do mundo. E isso não é verdade.

2) Após Moisés narrar o relato da criação de Adão e Eva, ele conclui, afirmando: “Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne”. Novamente Moisés citou indevidamente a lei do matrimônio estabelecido por Deus centenas de anos depois.

Moisés não deveria ter feito esse comentário sobre a lei do matrimônio, pois, nem Adão e nem Eva tinham pai ou mãe. Adão e Eva não deixaram a casa de seus pais para se unirem em matrimônio. Logo, percebe-se que essa citação da lei do matrimônio nessa narrativa é totalmente ambígua.

“Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea. (…) Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; tomou-lhe, então, uma das costelas, e fechou a carne em seu lugar; e da costela que o senhor Deus lhe tomara, formou a mulher e a trouxe ao homem. Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada. Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne (Gênesis 2:18,21-24).

3) Outro exemplo claro é quando o autor de Gênesis diz: “E Abraão deu-lhe o dízimo de tudo”. Esta frase é um acréscimo que Moisés faz citando coisas da Lei para salientar o ato de bondade praticado por Moisés ao sacerdote Melquisedeque. Essa citação da Lei do Dízimo foi feita indevidamente.

Abraão não deu dízimo nenhum a Melquisedeque, porque na época do fato ocorrido a Lei do Dízimo ainda não tinha sido estabelecida. O que Moisés deu a Melquisedeque foi parte do despojo de guerra, e não coisas de sua pose, de sua propriedade, de sua fazenda e do seu gado. O dízimo verdadeiro é relativo ao que a gente possui e produz, fruto de muito trabalho e suor do rosto. E o que Moisés doou a Melquisedeque não foi do fruto de seu trabalho.

Moisés não deveria ter usado a palavra DÍZIMO no livro de Gênesis, porque essa palavra e a própria Lei do Dízimo só surgiu muito tempo depois.

“Ora, Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; pois era sacerdote do Deus Altíssimo; e abençoou a Abrão, dizendo: bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Criador dos céus e da terra! E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos! E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo” (Gên. 14:18-20).

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Ainda há outros casos, mas acho que esses três, comentados acima, são suficientes para dar um puxão de orelha nesses teólogos tradicionais. Isso serve para que repensem os fundamentos da doutrina do dízimo e da guarda do Sábado.

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Falou e disse Miquels7

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14/04/2017 - Posted by | CRÍTICA LITERÁRIA, ESTUDOS BÍBLICOS | ,

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