JESUS BEBIA CERVEJA, SIM!

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Quantas vezes não vi pastores e professores da escola dominical inventando meios absurdos para explicar que o vinho que Jesus transformou da água na festa de casamento em Caná da Galiléia era um vinho não-alcoólico! Tudo isso por causa de puritanismo, de ensino fundamentalista que proíbe a ingestão de bebida alcoólica, porque é pecado. Certa vez questionei um antigo pastor da igreja que frequentava, e perguntei se o vinho que Jesus transformou da água era alcoólico, pois, o mestre-sala, ao prová-lo, disse que era “vinho bom”, e sabemos que em festa secular de casamento é servido bebida alcoólica. Aí ele disse que o vinho que Jesus transformou da água não era alcoólico, e o mestre-sala não tinha condições de saber, pois, estava bêbado e não tinha paladar para diferenciar um vinho alcoólico do não-alcoólico. E ficou nisso a explicação. Hoje sei que o mestre-sala de uma festa não pode se embebedar, pois, é ele quem dirige a festa, ele é o mestre-de-cerimônia. Logo, podemos concluir que o mestre-de-cerimônia da festa de Caná da Galiléia não estava bêbado quando provou do vinho que Jesus transformou. Os crentes puritanos, fundamentalistas, pegam textos seletivos da Bíblia para afirmar que beber vinho alcóolico e cerveja é pecado. Mas não sabem responder por que nos tempos do Antigo Testamento patriarcas, sacerdotes, reis e profetas se embriagaram e isso não foi considerado pecado. Noé se embriagou (Gênesis 9:18-21); Abraão bebeu vinho com Melquisedeque (Gên. 14:18); Isaque bebeu vinho (Gên. 27:24-25); José bebeu vinho com seus irmãos (Gên. 43:34); Davi se embriagou com Urias (II Sam. 11:12-13); Salomão, e tantos outros personagens da Bíblia consumiam vinho forte, alcoólico, e Deus nãos os condenou. E bem sabemos que o vinho forte ou o natural era uma bebida tradicional nas ceias das famílias israelitas.
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Jesus comendo e bebendo com publicanos e pecadores

“Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um comilão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores. Entretanto a sabedoria é justificada pelas suas obras” (Mateus 11:19).

No tempo de Jesus, a bebida social não era a cerveja e nem o champanhe, mas o vinho alcoólico. Vinho não-alcoólico era servido para crianças.

Segundo o relato dos evangelhos, o primeiro milagre de Jesus aconteceu numa festa de casamento em Caná da Galiléia, onde transformou água em vinho, e vinho alcoólico, pois quando levaram o vinho para o mestre-sala provar, ele disse que era o melhor vinho, o vinho bom (João 2).

Os crentes fundamentalistas e puritanos, e teólogos fanáticos ensinam que vinho bom é vinho novo, não-alcoólico. Porém, Jesus mesmo afirmou que vinho velho, alcoólico, é o vinho bom.

“E ninguém deita vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho novo romperá os odres e se derramará, e os odres se perderão; mas vinho novo deve ser deitado em odres novos. E ninguém, tendo bebido o [vinho] velho, quer o novo; porque diz: O [vinho] velho é bom” (Lucas 5:37-39).

Por que o vinho velho é bom? Porque é alcoólico.

Se Jesus fosse contra bebida alcoólica, ele nem teria ensinado como se deve armazenar o vinho nos barris para envelhecer até se tornar alcoólico.

O que acontecia com Jesus era que ele “bebia socialmente” junto com publicanos e pecadores. Mas, Jesus não bebia para se embriagar. Ele frequentou casas de muitos amigos, como por exemplo, a casa da família de Lázaro, a casa de Zaqueu, a casa de Nicodemos e a casa de Simão, o leproso, na qual participou de um jantar, e com certeza não se recusou a beber do vinho que era costume ter na mesa de manjares.

Simples assim?!

Em Marcos 14:25 Jesus diz aos seus discípulos que não mais beberia do fruto da videira (do vinho), até aquele dia em que iria beber novamente no reino de Deus. Desta declaração de Jesus surge uma pergunta: Será que no Céu (o reino dos céus que os crentes fanáticos imaginam) haverá plantações de vinhas e produção de vinho para Jesus beber com os salvos nas bodas do Cordeiro? É óbvio que esse “reino de Deus” não é no céu ou nos céus, é aqui mesmo na Terra. Jesus não estava falando de um reino no céu, mas falava a respeito do reino que Deus lhe tinha concedido administrar aqui na Terra. Como seres espirituais vão beber vinho de uva no Céu? Só mesmo na cabeça desses crentes fanáticos!

“Em verdade vos digo que não beberei mais do fruto da videira, até aquele dia em que o beber de novo, no reino de Deus” (Marcos 14:25).

O reino de Deus ou reino de Cristo não é no Céu; ele vem dos céus.

“Porque vos digo que desde agora não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus” (Lucas 22:18).

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Se ainda tem algum crente puritano que não sabe nada da história de Jesus, e acha que eu sou um herege, afirmando que Jesus bebia cerveja, vou ter que desenhar pra que entenda.

Jesus, falando para uma multidão incrédula, disse que João, o batista, não veio comendo nem bebendo, e diziam: “Tem demônio”. E quanto a si mesmo, Jesus disse que veio comendo e bebendo com publicanos e pecadores, e o povo não questionou nada, nem disse que tinha demônio. O que Jesus quis dizer com isso?

Será que João não comia e nem bebia, realmente? Que tipo de comida e bebida Jesus estava se referindo? Claro que João bebia água e comia gafanhotos e mel silvestre. Mas, porque Jesus disse que João não comia pão e nem bebia vinho? Porque estava se referindo à bebida alcoólica e comidas servidas em banquetes. João, o batista, era NAZIREU, e todo nazireu era consagrado para Deus e não podia comer certos alimentos e nem ingerir bebida forte (Lucas 1:13-15). E Jesus não era nazireu, e ele mesmo confessou que comia e bebia vinho junto com publicanos e pecadores, e participava de banquetes na casa de amigos.

Agora, leia o texto bíblico de novo e aprenda a interpretá-lo:

“Porquanto veio João, não comendo [pão] nem bebendo [vinho], e dizem: Tem demônio. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um comilão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores. Entretanto a sabedoria é justificada pelas suas obras” (Mateus 11:18:19).

“Ora, João usava uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre” (Mateus 3:4). [João se alimentava e se vestia dessa maneira porque era nazireu. Veja o texto seguinte].

“Mas o anjo lhe disse: Não temais, Zacarias; porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João; e terás alegria e regozijo, e muitos se alegrarão com o seu nascimento; porque ele será grande diante do Senhor; não beberá vinho, nem bebida forte [pois será nazireu]; e será cheio do Espírito Santo já desde o ventre de sua mãe” (Lucas 1:13-15).

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Engraçado que pastores e teólogos sabem que a bebida alcoólica só era proibida para os nazireus durante o cumprimento do seu voto ao Senhor. Quanto aos sacerdotes que administravam no Grande Templo, eles só não podiam ingerir bebida forte quando entravam no átrio interior ou na tenda da revelação (Levítico 10:9; Ezeq. 44:21), mas, fora isso, os sacerdotes podiam beber vinho alcoólico. E o povo podia consumir bebida alcoólica (mosto) livremente (Gên. 27:28; Deut. 14:23-27; Salmos 104:15; Ecles. 9:7-8; Cantares 7:8-9; Isaías 25:6; 27:2; 65:21; Amós 9:14;  ). Porém, os crentes puritanos inventaram que “todos” os verdadeiros cristãos são “narireus” e “levitas” e “sacerdotes” de Deus, por isso, não podem ingerir bebidas alcoólicas. Só que esse ensino puritano é radical, antibíblico e absurdo, e contraria até certos textos da Bíblia onde se diz que o vinho alegra a alma, e que no reino do Messias as famílias beberão vinhos das videiras da terra.

Havia casos em que o voto do nazireado não era para sempre, pois, depois de cumprido o voto e feito o ritual no santuário, o nazireu voltava a ingerir bebida alcoólica.

“Falou também o Senhor a Arão, dizendo: Não bebereis vinho nem bebida forte, nem tu nem teus filhos contigo, quando entrardes na tenda da revelação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso pelas vossas gerações” (Levítico 10:8-9).

“Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando alguém, seja homem, seja mulher, fizer voto especial de nazireu, a fim de se separar para o Senhor, abster-se-á de vinho e de bebida forte; não beberá, vinagre de vinho, nem vinagre de bebida forte, nem bebida alguma feita de uvas, nem comerá uvas frescas nem secas. Por todos os dias do seu nazireado não comerá de coisa alguma que se faz da uva, desde os caroços até as cascas. Por todos os dias do seu voto de nazireado, navalha não passará sobre a sua cabeça; até que se cumpram os dias pelos quais ele se tenha separado para o Senhor, será santo; deixará crescer as guedelhas do cabelo da sua cabeça” (Números 6:2-5).

“Esta, pois, é a lei do nazireu: no dia em que se cumprirem os dias do seu nazireado ele será trazido à porta da tenda da revelação, (…) Depois o sacerdote tomará a espádua cozida do carneiro, e um pão ázimo do cesto, e um coscorão ázimo, e os porá nas mãos do nazireu, depois de haver este rapado o cabelo do seu nazireado; e o sacerdote os moverá como oferta de movimento perante o Senhor; isto é santo para o sacerdote, juntamente com o peito da oferta de movimento, e com a espádua da oferta alçada; e depois o nazireu poderá beber vinho” (Números 6:13-20).

“Mas se o caminho te for tão comprido que não possas levar os dízimos, por estar longe de ti o lugar que Senhor teu Deus escolher para ali por o seu nome, quando o Senhor teu Deus te tiver abençoado; então vende-os, ata o dinheiro na tua mão e vai ao lugar que o Senhor teu Deus escolher. E aquele dinheiro darás por tudo o que desejares, por bois, por ovelhas, por vinho, por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; comerás ali perante o Senhor teu Deus, e te regozijarás, tu e a tua casa. Mas não desampararás o levita que está dentro das tuas portas, pois não tem parte nem herança contigo” (Deut. 14:24-27).

Em I Samuel 1:24, Ana leva um odre de vinho para os sacerdotes no Templo. O odre de vinho fazia parte da oferta que ela ofereceu no templo, mas era aspergido sobre o touro apenas a terça parte do vinho. E quem iria consumir o restante do vinho? Lógico que seriam os sacerdotes. Deus ordenou que se dessem o dízimo do mosto aos sacerdotes.

“Ao sacerdote darás as primícias do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e as primícias da tosquia das tuas ovelhas” (Deut. 18:4).

Alguém poderá contestar e dizer que o vinho que se usava para as ofertas de libação não era vinho forte, alcoólico. Mas, era sim! E tem mais! A Bíblia também diz que a bebida forte (mosto) alegra a Deus e aos homens. Como alegra a Deus? Se não alegrasse, para que Deus pedia que se oferecesse bebida forte na oferta de libação?

“A oferta de libação do mesmo será a quarta parte de um him para um cordeiro; no lugar santo oferecerás a libação de bebida forte ao Senhor” (Números 28:7).

“Mas a videira lhes respondeu: Deixaria eu o meu mosto, que alegra a Deus e aos homens, para ir balouçar sobre as árvores?” (Juízes 9:13).

Em I Samuel 25:8, Abigail envia dois odres de vinho para o rei Davi, juntamente com outros presentes, que seriam para os servos de Davi. Também Jessé, pai de Davi, um homem temente a Deus, fabricava vinhos, e chega a enviar um odre de vinho para o rei Saul, que era ungido do Senhor, mas que bebia muito vinho (I Samuel 16:20).

Também em II Samuel 16:1 se diz que Ziba levou um odre de vinho para Davi e seus servos. Se os homens de Davi consumiam vinho, é óbvio que ele também bebia com eles.

Se Davi, o homem segundo o coração de Deus, consumia vinho forte, por que os pastores protestantes, puritanos, ficam com essa bobagem de proibir o consumo de bebida alcoólica?

Se bebida alcoólica fosse pecado, o apóstolo Paulo não teria jamais recomendado a Timóteo que consumisse um pouco de vinho. Timóteo não podia ser dado ao vinho, pois, exercia liderança na igreja, e devia dar bons exemplos.

“Não bebas mais água só, mas usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades” (I Tim. 5:23).

Engraçado que em I Coríntios 11, Paulo exorta os crentes da igreja de Corinto e faz menção à bebida alcoólica na igreja, mas, mas pastores e teólogos ignoram isso. Apesar da confusão que havia durante a ceia na igreja de Corinto, mas, Paulo não condenou o uso de bebida alcoólica. Apenas exortou os irmãos para que fizessem as coisas com decência e ordem, e uns não comessem mais que outros e nem se embriagassem. Leia o texto e confira nas entrelinhas que Paulo faz menção de bebida alcoólica na igreja, mas não condena o seu uso. Antes, exorta que se querem comer à vontade e se embriagar, que façam em suas casas.

“Porque, antes de tudo, ouço que quando vos ajuntais na igreja há entre vós dissensões; e em parte o creio. E até importa que haja entre vós facções, para que os aprovados se tornem manifestos entre vós. De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor; porque quando comeis, cada um toma antes de outrem a sua própria ceia; e assim um fica com fome e outro se embriaga. Não tendes porventura casas onde comer e beber? Ou desprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto não vos louvo” (I Cor. 11:18-22).

Em I Cor. 10:31, Paulo exorta os irmãos de Corinto a que comessem e bebessem, ou fizessem qualquer outra coisa, tudo para glória de Deus”. O que ele estava querendo ensinar com isso? Estava orientando os irmãos para que praticassem as coisas com moderação. E isso incluía a ingestão de bebida alcoólica com moderação.

Em Romanos 13:13, Paulo também diz para vivermos honestamente, não em glutonarias e bebedeiras. Essa exortação nada mais é do que um pedido para fazermos as coisas com moderação, sem exageros.

Quando Paulo diz em Efésios 5:18 “Não vos embriagueis com vinho, mas enchei-vos do Espírito”, isso não é um mandamento, mas apenas uma recomendação. Só que os pastores puritanos pegaram essa recomendação de Paulo e a transformaram em mandamento. Assim mesmo faziam os doutores da Lei, de Israel, que inventaram ordenanças que não estavam na Lei, e impunham pesado fardo para o povo carregar que nem eles mesmos carregavam.

“Ele, porém, respondeu: Ai de vós também, doutores da lei! porque carregais os homens com fardos difíceis de suportar, e vós mesmos nem ainda com um dos vossos dedos tocais nesses fardos” (Lucas 11:46).

Apesar dos prós e contras das bebidas alcoólicas, cada cristão tem o livre arbítrio, e pode escolher fazer o voto de nazireado para não ingerir jamais bebida forte. Mas essa escolha não deve ser imposta por lideranças da igreja como uma lei ou mandamento para todos, pois, quem fazia tais ordenanças absurdas eram os doutores da Lei, de Israel, que inventavam preceitos para obrigar o povo a cumprir, mas eles mesmos não cumpriam.

No livro do profeta Jeremias há o relato interessante de um pai de família que determinou um mandamento, ordenando que todos da sua família jamais ingerissem bebida alcoólica, por todas as gerações. E os filhos e netos daquele pai cumpriram o mandamento fielmente. Aí o profeta Jeremias fala para o povo rebelde dizendo que aquela família cumpriu fielmente o mandamento do pai, mas a casa de Israel não quis cumprir os mandamentos do Senhor.

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Textos bíblicos usados pelos puritanos para condenar o uso de bebida alcoólica:

“O vinho é escarnecedor, e a bebida forte alvoroçadora; e todo aquele que neles errar não é sábio” (Prov. 20:1).

“Quem ama os prazeres empobrecerá; quem ama o vinho e o azeite nunca enriquecera” (Prov. 21:17).

“Não estejas entre os beberrões de vinho, nem entre os comilões de carne” (Prov. 23:20).

“Para os que se demoram perto do vinho, para os que andam buscando bebida misturada” (Prov. 23:30).

“Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente” (Prov. 23:31).

“Ai dos que se levantam cedo para correrem atrás da bebida forte e continuam até a noite, até que o vinho os esquente!” (Isaías 5:11).

“Têm harpas e alaúdes, tamboris e pífanos( e vinho nos seus banquetes; porém não olham para a obra do Senhor, nem consideram as obras das mãos dele” (Isaías 5:12).

“Ai dos que são poderosos para beber vinho, e valentes para misturar bebida forte” (Isaías 5:22).

“Mas também estes cambaleiam por causa do vinho, e com a bebida forte se desencaminham; até o sacerdote e o profeta cambaleiam por causa da bebida forte, estão tontos do vinho, desencaminham-se por causa da bebida forte; erram na visão, e tropeçam no juízo” (Isaías 28:7).

“Daniel, porém, propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar” (Daniel 1:8).

“Olhai por vós mesmos; não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e aquele dia vos sobrevenha de improviso como um laço” (Lucas 21:34).

“Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outra coisa em que teu irmão tropece” (Rom. 14:21).

“Nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbedos [bêbados], nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus” (I Cor. 6:10).

“E não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito” (Efésios 5:18).

“É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, temperante, sóbrio, ordeiro, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, mas moderado, inimigo de contendas, não ganancioso” (I Tim. 3:2-3).

“Da mesma forma os diáconos sejam sérios, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância” (I Tim. 3:8 ).

“Pois é necessário que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro de Deus, não soberbo, nem irascível, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância” (Tito  1:7).

“As mulheres idosas, semelhantemente, que sejam reverentes no seu viver, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras do bem” (Tito  2:3).

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Mas, veja o que disse sobre o vinho forte o mesmo rei Salomão que escreveu os provérbios:

“Honra ao Senhor com os teus bens, e com as primícias de toda a tua renda; assim se encherão de fartura os teus celeiros, e trasbordarão de mosto [vinho] os teus lagares” (Prov. 3:9-10).

“Dai bebida forte ao que está para perecer, e o vinho ao que está em amargura de espírito” (Prov. 31:6).

“Busquei no meu coração como estimular com vinho a minha carne, sem deixar de me guiar pela sabedoria, e como me apoderar da estultícia, até ver o que era bom que os filhos dos homens fizessem debaixo do céu, durante o número dos dias de sua vida” (Ecles. 2:3).

“Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe o teu vinho com coração contente; pois há muito que Deus se agrada das tuas obras” (Ecles. 9:7).

“Para rir é que se dá banquete, e o vinho alegra a vida; e por tudo o dinheiro responde” (Ecles. 10:19).

“Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o seu amor do que o vinho” (Cântico dos Cânticos 1:2).

“Venho ao meu jardim, minha irmã, noiva minha, para colher a minha mirra com o meu bálsamo, para comer o meu favo com o meu mel, e beber o meu vinho com o meu leite. Comei, amigos, bebei abundantemente, ó amados” (Cântico dos Cânticos 5:1).

“Disse eu: Subirei à palmeira, pegarei em seus ramos; então sejam os teus seios como os cachos da vide, e o cheiro do teu fôlego como o das maçãs, e os teus beijos como o bom vinho para o meu amado, que se bebe suavemente, e se escoa pelos lábios e dentes” (Cantares 7:8-9).

“Eu te levaria e te introduziria na casa de minha mãe, e tu me instruirias; eu te daria a beber vinho aromático, o mosto das minhas romãs” (Cantares 8:2).

Os crentes puritanos usam de forma seletiva os textos do livro Cântico dos Cânticos (Cantares de Salomão). Os versos que soam bem e não causam constrangimento eles usam para ler nos cultos, mas outros versos interessantes, como estes três últimos, supracitados, eles desprezam, e não leem de jeito nenhum.

Sobre o “milagre” da transformação da água em vinho, feito por Jesus na festa de casamento em Caná da Galiléia (João 2), tem um texto interessante que peguei na Internet. Será que Jesus transformou, mesmo, 100% água em vinho, ou ele simplesmente mandou os discípulos colocarem um barril de vinho forte em cada talha e depois ordenou que acrescentassem porções de água no vinho para a bebida render? Pois, temos informações de que os rabinos judeus determinavam que o vinho fermentado fosse diluído com água. Leia o seguinte texto e tire suas conclusões.

“Entre os judeus dos tempos bíblicos, os costumes sociais e religiosos não permitiam o uso de vinho puro, fermentado ou não. O Talmude (uma obra judaica que trata das tradições do judaísmo entre 200 a.C. e 200 d.C.) fala, em vários trechos, da mistura de água com vinho (e.g., Shabbath 77; Pesahim 1086). Certos rabinos insistiam que, se o vinho fermentado não fosse misturado com três partes de água, não podia ser abençoado e contaminaria quem o bebesse. Outros rabinos exigiam dez partes de água no vinho fermentado para poder ser consumido. Um texto interessante temos no livro de Apocalipse, quando um anjo, falando do “vinho da ira de Deus”, declara que ele será “não misturado”, isto é, totalmente puro. (Apoc. 14.10)”.

Concluindo, o puritanismo dos crentes (cristãos evangélicos) é pura caretice. Para os fundamentalistas, a proibição de bebida alcoólica é necessária para que o cristão ande em santidade, para que possa alcançar os céus e a vida eterna. Para outros, é apenas um costume que torna o viver do crente agradável a Deus e exemplar diante dos homens. E ainda para outros, a abstinência de bebida forte é apenas uma forma de preservar o corpo longe de doenças e problemas de saúde, ou para evitar o vício do alcoolismo. Que cada um fique com suas crendices e caretices. Mas, que fique claro que a ingestão de bebidas alcoólicas não é e nunca foi pecado.

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Miquels7 – Manaus, 22/10/2017.

 

 

Sobre Miquels7

Músico, educador, pensador, blogueiro irado. Quer saber mais? Então leia os meus artigos.
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Uma resposta para JESUS BEBIA CERVEJA, SIM!

  1. Edy disse:

    Você só esqueceu de dizer que embreagar-se é pecado…

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